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26 de março de 2017

Assim diz a Bíblia..

Ontem, eu terminei minha leitura de Mark Twain: As Aventuras de Huckleberry Finn. E, antes do final, uma passagem chamou minha atenção.

Uma polêmica do livro é que ele apresenta a escravidão. Huck Finn vive suas aventuras com o escravo negro Jim e, as expressões que são usadas para denotar este personagem: "negro", "preto", "escravo" etc. Se você não é um racista, estas expressões são grotescas. Porém, deixando de lado as palavras, a história de Jim com Huck Finn é um ensino sobre como é ser ser humano. O menino, criado em um ambiente escravocrata, logo chega ao dilema que o deixa confuso. Ele tem duas opções, entregar Jim para sua dona - a senhorita Watson - e deixá-la vender Jim, desta forma o separando da família que vive na fazenda vizinha; ou esconder Jim com ele e torná-lo livre.

Uma hora eu falei pra mim mesmo que ia ser mil vezes melhor pra Jim ser escravo em casa onde tava a sua família, já que ele tinha que ser escravo, e assim o melhor era eu escrever uma carta pra Tom Sawyer e dizer pra ele contar pra srta. Watson onde é que Jim tava. Mas logo abandonei essa ideia, por duas razões: ela ia ficar brava e desgostosa com a malandragem e ingratidão dele ao fugir de casa, e aí ela ia vender Jim de novo um pouco além rio abaixo. E, mesmo que não vendesse, é natural, todo mundo despreza um negro ingrato, e eles iam fazer Jim sentir esse desprezo o tempo todo, e assim ele ia se sentir ordinário e desgraçado.  (...) Por fim, quando pensei de repente que ali tava a simples mão da Providência estapeando a minha cara e deixando claro que a minha maldade era observada o tempo todo lá de cima no céu, enquanto eu roubava o negro de uma pobre velhinha que nunca tinha me feito mal, e me mostrando desse jeito que tem sempre Alguém vigiando que não vai permitir que esses atos desgraçados continuem por muito mais tempo, eu quase morri de tanto susto. Bem, tentei fazer o melhor que pude pra suavizar as coisas pro meu lado, dizendo que fui criado malvado, e assim não podiam me culpar muito, mas algo dentro de mim continuava a dizer:  “Teve a escola dominical, ocê podia ter ido, e nesse caso eles podiam ter me ensinado que as pessoas que fazem coisas como as que eu fiz com esse negro vão pro fogo eterno”.
Me deu um arrepio. Eu quase decidi rezar, pra ver se eu não podia deixar de ser o tipo de menino que eu era e melhorar. Aí ajoelhei. Mas as palavras não vinham. Por que não vinham? Não adiantava tentar esconder isso d’Ele. Nem de mim tampouco. Eu sabia muito bem por que elas não vinham. Era porque meu coração não tava direito; era porque eu não era certinho; era porque eu tava enganando os outros. Eu tava fingindo desistir do pecado, mas bem lá dentro de mim eu tava agarrado ao maior de todos os pecados. Eu tava tentando forçar a minha boca a dizer que eu ia fazer a coisa certa e correta, escrever pra aquela dona do negro e contar onde é que ele tava, mas bem no fundo de mim eu sabia que era mentira – e Ele sabia. Não dá pra rezar uma mentira – foi o que eu descobri.
(...)  Então comecei a pensar sobre a nossa viagem pelo rio, e vi Jim na minha frente, o tempo todo, de dia e de noite, às vezes com luar, às vezes tempestades, e a gente flutuando, conversando, cantando e rindo. Mas não sei como, não conseguia pensar em coisas pra endurecer o meu coração contra ele, só em coisas do outro tipo. Eu via ele fazendo o meu turno de vigia depois de completar o dele em vez de me chamar pra eu poder continuar dormindo; e via como ele ficou alegre quando voltei do nevoeiro; e quando retornei de novo pra balsa no pântano, lá onde tinha aquela rixa entre famílias; e outros tempos semelhantes; e ele sempre me chamava de meu fio e me mimava, e fazia tudo o que podia imaginar pra mim, e como ele era sempre bom; por fim lembrei daquela vez que salvei ele contando pros homens que a gente tinha varíola a bordo, e ele ficou tão agradecido, e disse que eu era o melhor amigo que o velho Jim já tinha encontrado no mundo, e o único que ele tinha agora.

Huck Finn viveu em uma época que pensar a favor de um negro era um insulto a sociedade e a Deus. A educação religiosa escravagista era real; muitos pastores, presbíteros e líderes religiosos tinham pessoas negras em sua casa como escravos. Logo, o dilema de Huck Finn é autêntico para seu tempo.

E, depois de ler este trecho eu fiquei pensando em como nossa vida religiosa é guiada por esteriótipos sociais que estão fora do que Cristo ensinou.
Quando a Bíblia é lida para colocar uma razão para aquilo que se quer - uma passagem bíblica fora de contexto, por exemplo -  acredita-se que ela é a vontade de Deus para uma determinada sociedade.
Antigamente, era comum que religiosos bebessem cerveja (ou qualquer outra bebida alcoólica) e fumassem; atualmente, esta prática é banida em muitas igrejas - apesar de alguns estarem voltando com o hábito de forma moderada.
Lutero foi um exemplo de quem questionou a conduta da sociedade clerical de sua época; ele decidiu agir fora de um padrão que não lhe pareceu correto.

Quantas outras condutas são praticadas hoje com fundamento "bíblico". Odiar ao próximo nunca foi um mandamento.




16 de março de 2017

Duas Providências..

Olá, abandonado leitor.

Esta manhã eu tirei uma folguinha, para ficar em casa fazendo qualquer coisa que me parecesse relaxante. Então, eu li.

Minha leitura atual é um livro de Mark Twain, chamado As Aventuras de Huckleberry Finn.

Durante a minha leitura, algo chamou minha atenção. 

Huck Finn é órfão de mãe e o pai é um bêbado ausente. Criado por uma viúva e sua sobrinha, Huck está sendo "civilizado". As duas mulheres tentam impor a Huck Finn uma educação moral, religiosa e escolar ao menino. 
A escola ele frequenta muito mal - depois de uma surra ele percebe que não é tão ruim ir estudar. A moral e os bons costumes ele aprende nas regras que a casa da viúva lhe impõe e, também, cabe as duas senhoras ensinar sobre religião ao selvagem menino.

Eu não vou entrar no mérito da questão do ensino religioso ou na "religião" em si, pois acredito que você leitor, entende o que isso significa.

E, para Huck Finn, as duas mulheres são bem distintas ao ensiná-lo sobre a Providência Divina. Ambas ensinam o que vivem e, na ideia do protagonista, parece que as mulheres falam de duas divindades distintas.
Às vezes a viúva me puxava prum lado e falava sobre a Providência de um jeito que dava água na boca; mas no dia seguinte, a srta. Watson assumia o comando e derrubava tudo de novo. Achei que dava pra ver que tinha duas Providências, e um pobre sujeito tinha uma grande chance de felicidade com a Providência da viúva, mas, se a Providência da srta. Watson pegava o cara, não tinha mais saída pro coitado. Pensei de todos os jeitos e decidi que eu ia ser da Providência da viúva, se ela me aceitasse, apesar de não conseguir descobrir como é que essa Providência ia me deixar melhor do que eu era antes, eu sendo tão ignorante, e tão inferior e desprezível.
"Dar água na boca", essa frase chamou minha atenção. Será que nosso evangelismo dá essa sensação àqueles que nos ouvem? Ou será que somos tão duros como a senhorita Watson e preferem o inferno ao seguir "ao Cristo que ela prega". O evangelho puro de Cristo deve dar água na boca dos ouvintes. O evangelho que mostra o Amor deve aproximar o ouvinte.
Hoje em dia é muito fácil ouvir uma evangelização que prometa mudar a vida para melhor: dinheiro, felicidade, bens materiais blá-blá-blá. E onde está o evangelho da Verdade?
Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento’. Este é o primeiro e maior mandamento. E o segundo é semelhante a ele: ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’. Mateus 22:37-39
 "Dar água na boca"! O evangelho simples e puro de Cristo. Nada mais precisa ser acrescentado: dinheiro, corrente para ser bem-sucedido, fitinha no pulso, dois ou três batismo para dar crédito a vida de fé... 

A sua vivência na fé dá água na boca? As pessoas ao seu redor vêem o viver de Cristo em sua vida? As pessoas a sua volta percebem a diferença que faz na comunidade? E, mesmo se ninguém notasse, a sua vida de fé continuaria a dar bons frutos?

31 de outubro de 2014

Quem é o Maior...tolo?

Nesta semana, enquanto eu esperava meus colegas de trabalho chegarem li do meu livro "Papisa Joana" de Donna Woolfolk Cross - e um trecho chamou minha atenção.
Não gosto de briguinhas do tipo "quem é melhor". Você tem a sua escolha, eu a minha - o respeito deve ser posto em prática e tudo vai bem. Mantenho distância de discussões chatas como "de quem é culpa" quando se trata de Adão e Eva. Mas, neste livro, eu achei engraçada esta "disputa" e deixarei o trecho registrado aqui.

Divirtam-se, pois eu me diverti!

Segue:


"Na concepção [respondeu o professor] porque Adão foi criado primeiro e Eva, depois; na posição porque Eva foi criada para servir Adão como companheira e auxiliar; na vontade porque Eva não foi capaz de resistir à tentação do Demônio e comeu da maçã.
Pelas mesas, as cabeças acenavam em assentimento. A expressão do bispo era grave. Ao seu lado, o cavaleiro ruivo não deu qualquer indício daquilo em que estava a pensar.
Odo sorriu afetadamente. Joana sentiu uma repulsa intensa por aquele homem. Ficou calada por momentos, coçando o nariz.
— Porque é a mulher inferior ao homem na concepção? — acabou ela por perguntar. — Pois, apesar de ter sido criada depois, foi feita do lado de Adão, enquanto Adão foi feito do pó.
Do fundo da sala, ouviram-se murmúrios.
— Em posição — as palavras fluíam, à medida que os pensamentos perpassavam pela cabeça de Joana e ela prosseguia o seu raciocínio — a mulher deve ser preferida ao homem porque Eva foi criada dentro mas Adão foi criado fora dele.
Novo murmúrio vindo da audiência. O sorriso desapareceu do rosto de Odo.
Joana continuou, demasiado interessada no encadeamento do seu o raciocínio sem pensar no que estava a fazer:
— Quanto à vontade, a mulher deve ser considerada superior ao homem — esta era forte, mas, agora, já não havia retorno — porque comeu da maçã por amor ao conhecimento e ao estudo, enquanto Adão a comeu apenas porque ela lhe pediu.
O choque provocou um silêncio profundo na sala. Os lábios pálidos de Odo contraíram-se de cólera. O bispo olhava para a Joana como se não pudesse acreditar naquilo que acabava de ouvir.
Ela tinha ido longe de mais."

26 de outubro de 2014

Felizes ?

Eu estava lendo um devocional tempos atrás e me deparei com uma leitura muitíssimo interessante: Final Feliz.

Você já imaginou o seu final feliz?

Bom, se eu pudesse escolher o meu, seria mais ou menos como o final daquela velhinha do filme Titanic: morrer em uma cama quentinha, sem sofrimento, rodeada de fotos que mostram o quanto minha vida foi boa e que fiz tudo o que quis.
Nesta minha estante de fotos eu teria, certamente, a foto da "Shakespeare & Co.", uma livraria na França que, um dia, pretendo visitar.
Gostaria de morrer de velhice. Nada de doença degenerativa, acidente fatal. Somente a boa e velha vida se esvaindo de um corpo cansado.

Minha mãe e eu temos o gosto pela leitura. Inicialmente, quando ela ainda não tinha seus livros, ela lia os meus. Mas ela não gosta, até hoje, de livros com finais tristes. Ela e uma irmã (que também gosta de literatura) não suportam a ideia de um livro com final triste. "De triste já basta a vida", elas dizem.

Quem não gosta de finais felizes, não é mesmo! Pois eu discordo desdes finais. Gosto da coisa "mais  realista possível" - e isso significa que nem sempre "tudo termina bem".

E talvez, quando uma história da vida real não sai "conforme a música", você se pergunte: mas porquê? 
Anônimo leitor, eu não sei você, mas eu não tenho - e nem quero ter pretensão de saber - todas as  resposta para todas as minhas indagações. E, então, lembro de um livro que é muito querido para mim, chamado "As Crônicas de Nárnia" que me lembra da cena de Aslan dizendo: "Eu estou contando a sua história e não a dela". Eu não sei porque as coisas acontecem desta forma na minha vida, e não pretendo explicar o porque dos outros. 

E, por falar em livros, eu estava fazendo meu devocional com a leitura de "Encontrando Deus em O Senhor dos Anéis" de Kurt Bruner e Jim Ware.  Cada capítulo tem exposto um trecho do livro "O Senhor dos Anéis" e, na leitura daquela noite, o trecho do livro de Tolkien era sobre uma conversa entre Sam e Frodo sobre o destino deles. Esta é a citação:

"Ouvimos sobre aqueles simplesmente continuaram - nem todos para chegar a um final feliz, veja bem; pelo menos não para chegar àquilo que as pessoas dentro de uma história, e não fora dela, chamam de final feliz" [Sam para Frodo - Livro IV, Capítulo 8]

Então, os autores, apontam duas histórias bíblicas que mostram finais interessantes. Eu escolhi uma delas. Fiquei com a leitura de Daniel 3: 13 - 25. 

Acredito que a história não precisa ser contada novamente, ela é bem "famosa"! 

Como estou falando em "final feliz" eu farei uma pergunta: E se o Anjo não estivesse lá? Se fosse somente fogo nesta fornalha, seria um final feliz? 

Ware e Brunner dizem o seguinte:

"Algumas de nossas histórias favoritas são baseadas na vida daqueles que aceitaram o chamado inesperado à aventura. Sua coragem diante do perigo, incerteza ou aflição inspira o nosso coração. E, muitas vezes, nossa parte favorita de sua história é uma cena que eles nunca teriam procurado de pronto.
José não queria ser jogado em um buraco por seus irmãos ciumentos. Nem gostou de ser vendido como escravo ou falsamente acusado e preso por Potifar. Esses e outros episódios fazem de seu papel algo que ninguém gostaria de desempenhar. No entanto, cada situação também tornou-se uma oportunidade para José cumprir um papel heróico no drama da fé. Ele criou coragem para confiar em um Deus que acreditava ser bom, a despeito da evidência contrária da tragédia pessoal. Após anos de injustiça e sofrimento, ele viu como os episódios da vida mais odiados pro ele foram aqueles mais importantes para a história que estava sendo contada".

E sobre os jovens da história de Daniel? Ware e Brunner dizem que "eles não tinham razão para esperar que Deus agisse desta forma. Afinal de contas, Deus não impedira que fossem deportados ou os resgatara do serviço forçado na corte de um tirano arrogante. Na verdade, gerações haviam se passado desde o último relato de milagre. Eles não tinham mais razão do que nós para esperar uma intervenção milagrosa". O que me chamou a atenção nesta história foi uma fala em particular: 

"E, se não, fica sabendo, ó rei, que não serviremos a teus deuses, nem adoraremos a estátua de ouro que levantaste" [Dn. 3:18]

Isso é tão contra a besteira que pregam hoje em dia: dizendo que Deus é OBRIGADO a fazer isso e aquilo. Que vida frustada devem ter achando que guiam à Deus ao seu bel-prazer. A frase de um destes jovens é muito bem posta: "E, se não" ... se Deus não quiser salvá-los, ainda assim não servirão outro Deus. Outra coisa que é muito comum em nossas mentes: se sofremos é porque erramos. Era isso que os malfadados amigos de Jó criam. Conforto não é sinônimo de fé forte e provação/tentação não é sinal de fé fraca. Por favor, tiremos de nossas cabeças essa síndrome de Jó. 

Durante nossa caminhada teremos momentos de aflição - é impossível querer o contrário. Mas para cada momento feliz ou triste, temos à nosso favor, o Espírito Santo que nos ensina por qual caminho devemos seguir. Este é o Consolador enviado por Cristo para mostrar o caminho. Não tente colecionar sua vida de fé com alegrias ou tristezas - olhe para frente, para o alvo. Não podemos seguir na fé sozinhos. Não podemos seguir achando que teremos somente flores. Mas estejamos olhando para a vida de Cristo. Talvez, o final feliz que você sonha não seja aquele que Deus tem preparado para você ou para mim. Talvez o seu caminho e o meu não seja tão tranquilo como o caminho daqueles que estão ao nosso lado, mas lembre-se de Aslan: essa não é a sua história, é a deles. Não queiramos seguir por estradas alheias, mas por aquelas que estão destinadas à nossa felicidade.

E para finalizar, deixo mais uma mensagem de Ware e Brunner:

"Vivemos a vida neste mesmo palco. Contudo, Deus existe dentro e fora do palco, observando todo o espectro da criação da história de fora, de além e de cima. E é sua perspectiva da história, não a nossa, que define 'um final feliz'"

"Muitas vezes os episódios que menos desejamos são os mais importantes para a história que está sendo contada".



6 de setembro de 2013

Olá, Morte ..

Antes de começar alguma coisa, preciso dizer: o texto abaixo não é um cortejo ao suicídio. ;)

Quando foi pedido um tema para o meu trabalho de conclusão de curso, eu pensei na morte. Não a morte em seu geral, mas em uma lugar específico: o paraíso.
Por pensarmos no Jardim das Delícias como algo tão lindo, perfeito(?) e harmonioso, algumas pessoas podem achar que lá não é o lugar da morte. A morte é feia, a morte lembra sofrimento, dor, angústia - e isso não combina com o Jardim de Deus.

Eu não penso assim. Eu defendo a tese que a morte no Jardim criado no Éden foi possível. Uma das questões levantadas foi a presença da Árvore da Vida (que não foi mais acessível após a queda da humanidade). Deixando de desfrutar (talvez literalmente) desta singular Árvore, o homem TEVE que morrer (Gn 2:17). É a sentença pelo crime de não cumprir uma ordem dada por Deus: não ter mais acesso à Vida plena (Gn 3:24).
Quando o mandamento foi quebrado, os olhos da humanidade se abriram e a ela ficou confusa. Houve vergonha da nudez, houve mentira, culpa etc - tudo em um mesmo "dia".

E, então, os olhos se abriram. Porém, aquilo que era para ser algo bom tornou-se o caos. Não era possível explicar as coisas ao redor - muita informação para pouco "QI".

E a Árvore da Vida ficou para trás. Essa árvore que fora responsável pela vida plena agora é um sonho bom que ficou na lembrança. E, restou a morte.

Para mim, a morte era algo bom no Jardim. Somente quando houvesse compreensão sobre a vida - seja lá como ela era ou é - o indivíduo poderia abnegar o direito de viver "para sempre" e se entregar a morte. Ela não era uma coisa ruim, mas mais uma etapa da vida. A humanidade do Jardim vivia no planeta Terra, sob o mesmo sol que nós, porém, em condições melhores. Aqui não é o céu; mas o Jardim foi um lugar repleto de bençãos para tornar a vida algo muito bom - por um longo tempo.

E a morte se tornou desespero.

Sem a compreensão sobre a morte, o ser humano viu essa etapa da vida como um castigo.
Um escritor, por quem sou apaixonada, conta em sua livro sobre um povo que buscava a vida eterna. Esse povo desconhecia, como relata o autor, a benção da morte. Morrer significa cumprir uma etapa. Morrer permite que o homem descanse do mundo.
Estou falando de JRR Tolkien e o relato em seu livro "O Silmarillion" - uma bela obra prima. Vou deixar um trecho abaixo:

"Ora, esse desejo [imortalidade] foi crescendo cada vez mais com o passar dos anos. E o numenorianos começaram a ansiar pela cidade imortal que viam ao longe; e ficou mais intenso em seu íntimo o desejo pela vida eterna, de escapar à morte e ao final dos prazeres. E quanto mais cresciam seu poder e sua glória, mais aumentava a inquietação. (...)
- Por que os Senhores do Oeste ficam lá, sentados em paz eterna, enquanto nós precisamos morrer e ir não se sabe para onde, deixando nossa casa e tudo o que fizemos? E os eldar não morrem, nem mesmo os que se rebelaram contra os Senhores? E já que dominamos todos os mares, e não existe oceano tão revolto ou tão vasto que nossos barcos não consigam transpor, por que não deveríamos ir a Avallónë e lá cumprimentar nossos amigos? (...)
- E vocês dizem que foram punidos pela rebelião dos homens, da qual pouco participaram e que é por isso que morrem. Mas a morte não foi de início estabelecida como uma punição. É por ela que vocês escapam, deixam o mundo e não estão vinculados a ele, seja na esperança, seja no enfado. Qual de nós portanto deveria invejar o outro? (...) E o Destino dos Homens, de que deveriam partir, foi de início uma dádiva de Ilúvatar. Tornou-se um pesar para eles somente porque, tendo caído sob a sombra de Morgoth, pareceu-lhes que estavam cercados por uma enorme escuridão, da qual sentiam medo. E alguns se tornaram voluntariosos e orgulhosos, decididos a não ceder, até a vida lhes ser arrancada. Nós, que suportamos a carga sempre crescente dos anos, não entendemos isso com clareza; porém, se essa mágoa voltou a atormentá-los, como vocês dizem, então tememos que a Sombra surja mais uma vez e volte a crescer em seus corações. Portanto, embora vocês sejam os dúnedain, os mais belos dos homens, que escaparam da Sombra de outrora e lutaram bravamente contra ela, nós lhes dizemos: Cuidado! A vontade de Eru não pode ser contrariada" (TOLKIEN, JRR.,O SILMARILLION, p.335 - 337, Ed. Martin Fontes, São Paulo, 2002)


Alguns esclarecimentos indispensáveis: "Morgoth", para quem leu ou assistiu (meus pêsames) a trilogia de O Senhor dos Anéis, é o "chefe" de Sauron. Morgoth ou Melkor, foi um dos Valar (seres superiores) que se revelou contra Eru.

"Eru" é o criador de Arda e dos Valar (seres imortais, habitantes de Valinor, as terras imortais).

"Avallónë" é uma das cidades mais próximas de Valinor.

Porém, ao abrir mão da presença de Deus (3:8) o homem viveu ao seu bel prazer. Afastado de Deus houve o cansaço, a fome, a fadiga, dores, mentira, assassinato. Agora, a morte mostrou a sua parte ruim. A parte onde ela não é bem vinda. Agora, o homem está a merce do mau do próximo. A vida é abandonada pela doença, tirada pela mão do próprio homem. A morte mostra sua outra face - o conhecimento que o homem não estava autorizado a ter, mas tomou para si.
Tudo, depois da queda, foi visto como ruim - ou, pelo menos, a maioria das coisas; principalmente morrer tornou-se um fardo enorme para se carregar. Ela está à espreita. Está em cada esquina esperando pelo sinal. Está no seio familiar. Está cortejando a vida e a seduzindo esperando que ela caia em seus funestos braços.

Talvez, a morte no Jardim das Delícias fosse como aconteceu com Enoque (Gn 5:24). Realmente, não faço ideia de como foi morrer no Paraíso - caso alguém tenha experimentado essa parte da existência humana. Porém, nossos olhos estão novamente abertos, pois, através de Cristo podemos ter o conhecimento que foi defeso.
Eu também defendo a ideia de que Cristo é o exemplo da perfeita entrega à morte. Apesar da aflição (Mt 26: 37 - 39) ele viu além da morte. Soube que seu sacrifício não seria em vão, que há algo além da morte e a venceu.

Acho que era isso que eu tinha a dizer. Provavelmente, farei algumas possíveis inclusões, pois é um assunto que adoro fuçar aqui e ali.

Até.

26 de julho de 2013

Mas, eu.. Mas...

"Digory fechou a boca e apertou os lábios. Seu mal-estar aumentava. Tinha esperança de que, acontecesse o que acontecesse, não choramingaria, nem faria nada ridículo.
- Filho de Adão, está disposto a desfazer o mal que fez ao meu manso país de Nárnia no dia de seu próprio nascimento?
- Só não sei o que posso fazer. Como o senhor sabe, a rainha fugiu e...
- Perguntei se está disposto? - disse o Leão.
- Estou.
Passara-lhe um segundo pela cabeça a tentação boba de responder: "Estou disposto, se o senhor prometer-me ajudar minha mãe". Mas percebeu  a tempo que o Leão não era criatura com a qual se podia fazer barganhas. Porém, quando disse "Estou", pensou na mãe, nas grandes esperanças que tivera, e em como agora elas estavam para morrer. Sentiu um nó na garganta e lágrimas nos olhos. Deixou escapar, no entanto:
- Mas, por favor, por favor...o senhor não podia me dar qualquer coisa que salvasse minha mãe?
Até aquele instante, só olhara para as patas do Leão; agora, com o desespero, olhou-o nos olhos. O que viu o surpreendeu mais do que qualquer outra coisa. Pois a face castanha estava inclinada perto do seu próprio rosto e (maravilha das maravilhas) grandes lágrimas brilhavam nos olhos do Leão. Eram lágrimas tão grandes e tão brilhantes, comparadas ás de Digory, que por um instante sentiu que o Leão sofria por sua mãe mais do que ele próprio.
- Meu filho, meu filho, eu sei. A dor é grande. Só você e eu nesta terra sabemos disso.(...)"
LEWIS, C.S. AS CRÔNICAS DE NÁRNIA: O Sobrinho do Mago. cap. 12. Ed. Martins Fontes, SP: 2010.

Eu leio e choro! Impossível, para mim, evitar o choro! Realmente, a leitura de "As Crônicas de Nárnia" toca muito a minha alma. São palavras simples, um modo delicado de falar sobre o que é realmente importante na vida cristã - na fé.

Quando li esse texto, logo lembrei de Marta e Maria chorando a morte do seu irmão, Lázaro. Desespero, talvez seja a palavra para aquilo que estavam sentindo. Esperavam que Jesus estivesse lá para evitar a morte do irmão. Esperaram por isso. Chamaram. E, a resposta para sua dor veio quatro dias depois. Lázaro já estava morto a quatro dias quando Ele foi ao encontro das irmãs. Ele não estava indiferente ao sofrimento delas (João 11:35). Ele sentiu o sofrimento de Marta e Maria e chorou com elas.

Quando Digory estava com Aslan, ele também tinha uma preocupação em mente: sua mãe doente. Ele tinha que reparar o mal que havia causado em Nárnia mas... sua mãe precisava de ajuda também. E, quando o Leão o questiona sobre sua disposição em reparar seu erro, Digory titubeia pois não sabe como um menino pode resolver a situação que ele mesmo causou. Aslan não estava preocupado em "como" mas em ouvir "sim" ou "não".  Digory aceitou mas... ainda havia sua mãe. Ele sacou que não poderia pechinchar com o Leão, então, restava aceitar. Mas...
O Leão sabia. Ele conhecia o problema de Digory. Muito mais que isso: ele sentia o sofrimento do menino.

Cristo é assim: ele não nos pergunta "como" faremos, mas se estamos dispostos a fazer:  ir e pregar o evangelho a toda criatura. E, nesse ínterim, ele não menospreza nossos problemas ou sofrimentos. Ele sabe o que nos aflige e não negligencia nossa dor. Ele não nos pede para esquecer, mas quer saber de uma coisa: "Crês tu?".

23 de maio de 2012

..Foi uma delícia..

Alguns livros que leio me trazem vontades inusitadas.
Certo dia, enquanto lia Dom Quixote de La Mancha v.2, vi Sancho fazer um humilde piquenique regado a pão, queijo e vinho. Levantei da rede e fui até a cozinha preparar um pão quente, tamanha foi a vontade inspirada por escudeiro fiel do Cavaleiro da Triste Figura.

Antes de Sancho, no verão de 2009, eu estava deitada no chão lendo As Crônicas de Nárnia: O Cavalo e Seu Menino, quando a cena da refeição do cavalo me deu fome: aveia! Levantei, fui até o mercado próximo a minha casa e comprei uma lata de Neston. E até hoje, quando como esse prato digo: Huumm me deu vontade de cavalo!

E é sobre Nárnia que quero falar - mas deixando de lado minha vontade de cavalo. O engraçado é que enquanto eu lia Nárnia, minha mãe comentou com minhas irmãs: Eu não dou mais bola; se ela estiver chorando ou rindo: é por causa do livro!
E minha leitura de Nárnia foi regada a lágrimas e risos (e Neston).
Eu iniciei a leitura quando terminei o terceiro ano de Teologia; e durante a leitura pensei: porque não ensinar teologia de uma forma tão gostosa como CS Lewis estava ensinando!!? Sim, o autor escreveu um tratado teológico maravilhoso de uma forma muito doce e gostosa: feito para criança entender!
Lembro que um professor me deu uma advertência antes de eu iniciara leitura: é infantil. Ele fez isso pelo fato de saber que eu curto (e muito) os livros do amigo do CS Lewis, Tolkien e sua obra O Senhor dos Anéis!
E é o pueril que encanta em Nárnia; a simplicidade em algo tão complexo.

Em muitos trechos, Nárnia me fez refletir sobre minha vida de fé: eis o motivo das lágrimas e dos risos.
Quero registrar um dos trechos, que infelizmente o cinema em sua arte não pode ser fiel, que me deixou emocionada.

A cena é vivida em A Viagem do Peregrino da Alvorada, quando o chatinho do Eustáquio se transformou em dragão. Então, ele encontra Aslan e narra esse encontro à Edmundo. Leiam:

"Levou-me por um caminho muito comprido, para o interior das montanhas. E o halo sempre lá envolvendo-o. Finalmente chegamos ao alto de uma montanha que eu nunca vira antes, no cimo da qual havia um jardim. No meio do jardim havia uma nascente de água. Vi que era uma nascente porque a água brotava do fundo, mas era muito maior do que a maioria das nascentes - parecia um grande piscina redonda, para a qual se descia em degraus de mármore. Nunca tinha visto água tão clara e achei que se banhasse ali talvez passasse a dor na pata. Mas o leão me disse para tirar a roupa primeiro. Para dizer a verdade, não sei se falou em voz alta ou não. Ia responder que não tinha roupa, quando me lembrei que os dragões são, de certo modo, parecidos com as serpentes, e estas largam a pele. "Sem dúvida alguma é que ele quer", pensei.
Assim, comecei a esfregar-me, e as escamas começaram a cair de todos os lados. Raspei ainda mais fundo e, em vez de caírem as escamas, começou a cair a pele toda, inteirinha, como depois de uma doença ou como a casca de uma banana. Num minuto, ou dois, fiquei sem pele. Comecei a descer à fonte para o banho. Quando ia enfiando os pés na água, vi que estavam rugosos e cheios de escamas como antes. "Está bem", pensei, "estou vendo que tenho outra camada debaixo da primeira e também tenho que tirá-la". Esfreguei-me de novo no chão e mais uma vez a pele se deslocou e saiu; deixei-a então a lado da outra e desci de novo para o banho. E aí aconteceu exatamente a mesma coisa. Pensava: "Deus do céu! Quantas peles terei de despir?" Como estava louco para molhar a pata, esfreguei-me pela terceira vez e tirei uma terceira pele. Mas ao olhar-me na água vi que estava na mesma. Então o leão disse (mas não sei se falou): "Eu tiro a sua pele". Tinha muito medo daquelas garras, mas, ao mesmo tempo, estava louco para ver-me livre daquilo. A primeira unhada que me deu foi tão funda que julguei ter me atingido o coração. E quando começou a tirar-me a pele senti a pior dor da minha vida. A única coisa que me fazia aguentar era o prazer de sentir que me tirava a pele. É como quem tira um espinho de um lugar dolorido. Dói pra valer, mas é bom ver o espinho sair.
- Estou entendendo - disse Edmundo.
- Tirou-em aquela coisa horrível, como eu achava que tinha feito das outras vezes, e lá estava ela sobre a relva, muito mais dura e escura do que as outras. E ali estava eu também, macio e delicado como um frango depenado e muito menor do que antes. Nessa altura agarrou-me - não gostei muitos, pois estava todo sensível sem a pele - e atirou-me dentro da água. A princípio ardeu muito, mas em seguida foi uma delícia. Quando comecei a nadar, reparei que a dor do braço havia desaparecido completamente. Compreendi a razão. Tinha voltado a ser gente. Você vai achar um cretino se disser o que senti quando vi os meus braços. Não mais musculosos do que os de Caspian, eu sei que não são muito musculosos, nem se podem comparar com os de Caspian, mas morri de alegria ao vê-lo. Depois de certo tempo, o leão me tirou da água e vestiu-me". LEWIS, CS. As Crônicas de Nárnia de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada. Ed. Martins Fontes, SP, 2009, p. 451,452.

Olha o que entendi:

Existe no ser humano uma vontade enorme em se dar bem. E, faz parte de uma parcela da humanidade, querer buscar tudo, exatamente tudo, pelas próprias mãos. Isso inclui a salvação da alma.
Doações de alimento, roupa, trabalho voluntário de qualquer tipo para "comprar" seu pedacinho no céu.
Ou, fazer obras sem fim dentro e fora da igreja (sem amor) para convalidar a salvação.
E então eu cito as palavras de Salomão: E tudo é vaidade e correr atrás do vento!

A história de Eustáquio é semelhante a conversão cristã. Lewis pensou nisso também.
Não somos nós que buscamos a Deus, Ele vem ao nosso encontro (Lucas 19:10).
A salvação é uma via de duas mãos: Deus não irá fazer tudo sozinho por nós, é necessário querer! Eustáquio quis. Primeiro, ele tentou sozinho e foi inútil. Depois, Aslam chegou perto dele e ele sentiu que Aslam poderia fazer isso por ele, se Eustáquio quisesse.
Tentamos, de mil maneiras - consciente e inconsciente - usarmos nossos próprios meios para obter a vida eterna.
A história de Eustáquio também lembrou o retorno do filho pródigo (Lucas 15: 11 - 32): Ele se arrependeu e o pai não o recusou. O filho confessou seu pecado e foi aceito pelo pai com alegria, festa, aliança e roupa nova!

Mas eu digo: vida eterna todos teremos - uns a terão o sofrimento eterno, outros amor genuíno eternamente.
É muito comum ouvirmos alguém dizer quando alguém morre: Esse foi bom, vai para céu! (menos o Saramago - rs). Sempre achamos que todos devem ir para o céu: Kurt Cobain, Elvis Presley, Dercy Gonçalves, Chico Anysio, o bêbado da esquina, a prostituta do bairro, o pai ausente, o cara que vai todo domingo para a igreja, a senhora da OASE, o líder de jovens. Eu realmente não ponho minha mão no fogo por ninguém porque não conheço a vida espiritual delas - eu conheço a minha.
Um professor de teologia um dia contou que teremos três surpresas ao chegar no céu: A primeira será "Nossa! Ele veio!"; a segunda será "Nossa! Aquele não veio!" e a terceira será "Nossa! Eu vim!".

Não existe outro meio de chegar à salvação senão através de Cristo. Ele é o caminho, não existe atalho para a reconciliação com Deus. O homem fora do amor do Criador está morto. Jesus disse em João 14:6 "Eu sou o caminho, a verdade e a vida". Podemos tentar fazer de um jeito diferente, mas na verdade somente Cristo pode nos dar aquilo que nos falta, o essencial para nos religarmos ao Pai.

Quando Eustáquio permitiu que Aslam o tocasse, houve uma dor - que segundo ele foi boa pois aliviou outra dor maior que ele não conseguiu se livrar - o Leão o levou para o banho que ele tanto ansiava.
É precioso crer e ser batizado. Eu vi essa cena dessa forma. Crer é permitir que Deus nos toque com a garra do Leão e tire de nós a morte que nos separa de Deus; e o batismo é atestado de fé da conversão.

Eustáquio chegou na última festa realizada por Aslan. Ele entrou no estábulo que levava à Nova Nárnia! E você, quer entrar nesse estábulo e viver uma vida de alegria eterna?

13 de outubro de 2011

Túrin Turambar

Túrin é filho de Morwen e Húrin (senhor de Dór-Lomin e amigo de Turgon, rei de Nargothrong), da raça dos homens, descendente de Bëor, o Velho.
Túrin nasceu pouco antes da Guerra das Lágrimas Incontáveis (Nirnaeth Arnoediad) que seu pai e seu tio Huor participaram. Enquanto seu tio teve a sorte de morrer na batalha, seu pai, Húrin, foi levado cativo à Angband e mantido vivo para ver a desgraça de sua casa.

Com o fim da Guerra, Morwen enviou Túrin para Doriath (casa do rei Thingol, outrara chama-se Elwë) para ficar sob a proteção do Rei élfico e sua esposa, Melian, a Maia.

Thingol o adotou como filho, e os cuidados que teve com Túrin eram muito especiais. Porém, Túrin sentia saudades da mãe e da irmã, Nienor, que ficaram em Dór-Lomin. Juntou-se com Beleg Arco-Forte e foram guerrear nas fronteiras das terras de Dór-Lomin por três anos; quando voltaram, Saeros chamou as mulheres de Hithum (de onde a família de Túrin viera) de selvagens. Bastou para que Túrin o pegasse em uma emboscada, deixando-o despido e amendrontado que o pobre Saeros se jogou nú de um penhasco.

Mesmo com o perdão real concedido por Melian e Thingol, Túrin se negou a voltar ao Palácio Élfico de Menegroth, vagando como proscrito durante muito tempo, sendo líder de vagabundos que encontrava no ermo. Nem mesmo Beleg, a quem considerava como irmão, conseguiu persudiadí-lo a voltar para Doriath.

A história de Túrin é muito triste daí em diante: sua mãe se perdeu no ermo atrás dele, sua irmã fugiu atrás dela e foi enfeitiçada por Glaurung, o Lagarto de Angband, esquecendo quem era. Casou-se com Túrin sem saber que era seu irmão, tiveram um filho. Seu amigo, Beleg, participou do triste destino de caminhar ao seu lado.

E tudo o que ocorreu, ao meu ver, teve um ponto de apoio para acontecer. Não foi Morgoth, nem Glaurung a ruína de Túrin. Sua ruína foi seu orgulho, que não permitiu que ele voltasse para casa depois do perdão de Thingol e Melian; desta forma ele não encontrou sua mãe e irmã quando elas chegaram a Doriath. Seu orgulho não permitiu que ele voltasse em seus atos mais funestos para estar ao lado das pessoas que amava.

E seu fim foi premidato.

Túrin culpou seu destino e decidiu chamar-se Turambar, que significa Senhor do Destino, querendo segurá-lo a sua forma, ignorando as consequências.

O orgulho. Um veneno que corrói o mais bem intensionado.

Dias atrás eu sonhei que estava no púlpito pregando João 9: 8-11. É a história do cego de nascença que foi curado por Cristo.

E quando em mim precisa ser curado! E quanto orgulho eu preciso lançar fora. Como é necessário abrir os olhos para ver a vida e as pessoas do ponto de vista de Deus.

A história de Túrin é uma bela triste história sobre um homem que achou que seria senhor do seu destino. É a história de um jovem que deixou-se cegar em seu orgulho.

27 de setembro de 2011

O Silmarillion

Eu sou completamente apaixonada por esse livro! Foi difícil (primeira leitura) "ele" me convercer; mas agora eu sou louca por "ele". Quando eu leio esse texto, não é só da história de Abraão e Isaque que vem a minha mente, mas é o amor e misericórdia de Deus conosco. Ilúvatar não permitiu que Aulë destruísse a criação (os Anões mas ñ tirou a responsabilidade de Aulë de cuidar e zelar por aquilo que criou e também se receber as consequências pelo seu ato. Deus age assim conosco, ao meu ver: permite que façamos algo "escondido" dEle; mas no Seu amor, Ele nos "encarrega" de vivermos conforme nossa escolha - não permitindo que sejamos mimados, mas que sejamos moldados para ser sábios em nossas escolhas futuras. Deixo um dos vários trechos que gosto "De Aulë e Yavanna", Ósculos e Amplexos, Adelita

"Dizem que no início os anões foram feitos por Aulë na escuridão da Terra-média. Pois, tão grande era o desejo de Aulë pela vinda dos Filhos, para ter aprendizes a quem ensinar suas habilidades e seus conhecimentos, que não se dispôs a aguardar a realização dos desígnios de Ilúvatar. E Aulë criou os anões, exatamente como ainda são, porque as formas dos Filhos que estavam por vir não estavam nítidas em sua mente e, como o poder de Melkor ainda dominasse a Terra, desejou que eles fossem fortes e obstinados. Temendo, porém, que os outros Valar pudessem condenar sua obra, trabalhou em segredo e fez em primeiro lugar os Sete Pais dos Anões num palácio sob as montanhas na Terra-média. Ora, Ilúvatar soube o que estava sendo feito e, no exato momento em que o trabalho de Aulë se completava, e Aulë estava satisfeito e começava a ensinar aos anões a língua que inventara para eles, Ilúvatar dirigiu-lhe a palavra; e Aulë ouviu sua voz e emudeceu. E a voz de Ilúvatar lhe disse: - Por que fizeste isso? Por que tentaste algo que sabes estar fora de teu poder e de tua autoridade? Pois tens de mim como dom apenas tua própria existência e nada mais. E, portanto, as criaturas de tua mão e de tua mente poderão viver apenas através dessa existência, movendo-se quando tu pensares em movê-las e ficando ociosas se teu pensamento estiver voltado para outra coisa. É esse teu desejo? - Não desejei tamanha ascendência – respondeu Aulë. - Desejei seres diferentes de mim, que eu pudesse amar e ensinar, para que também eles percebessem a beleza de Eä, que tu fizeste surgir. Pois me pareceu que há muito espaço em Arda para vários seres que poderiam nele deleitar-se; e, no entanto, em sua maior parte ela ainda está vazia e muda. E, na minha impaciência, cometi essa loucura. Contudo, à vontade de fazer coisas está em meu coração porque eu mesmo fui feito por ti. E a criança de pouco entendimento, que graceja com os atos de seu pai, pode estar fazendo isso sem nenhuma intenção de zombaria, apenas por ser filho dele. E agora, o que posso fazer para que não te zangues comigo para sempre? Como um filho ao pai, ofereço-te essas criaturas, obra das mãos que criaste. Faze com elas o que quiseres. Mas não seria melhor eu mesmo destruir o produto de minha presunção? E Aulë apanhou um enorme martelo para esmagar os anões, e chorou. Mas Ilúvatar apiedou-se de Aulë e de seu desejo, em virtude de sua humildade. E os anões se encolheram diante do martelo e sentiram medo, baixaram a cabeça e imploraram clemência. E a voz de Ilúvatar disse a Aulë: - Tua oferta aceitei enquanto ela estava sendo feita Não percebes que essas criaturas têm agora vida própria e falam com suas próprias vozes? Não fosse assim, e elas não teriam procurado fugir ao golpe nem a nenhum comando de tua vontade. Largou, então, Aulë o martelo e, feliz, agradeceu a Ilúvatar, dizendo. - Que Eru abençoe meu trabalho e o corrija. Ilúvatar voltou a falar, entretanto, e disse: - Exatamente como dei existência aos pensamentos dos Ainur no início do Mundo, agora adotei teu desejo e lhe atribuí um lugar no Mundo; mas de nenhum outro modo corrigirei tua obra; e, como tu a fizeste, assim ela será. Contudo não tolerarei o seguinte: que esses seres cheguem antes dos Primogênitos de meus desígnios, nem que tua impaciência seja premiada. Eles agora deverão dormir na escuridão debaixo da pedra, e não se apresentarão enquanto os Primogênitos não tiverem surgido sobre a Terra; e até essa ocasião tu e eles esperareis, por longa que seja a demora. Mas quando chegar a hora, eu os despertarei, e eles serão como filhos teus; e muitas vezes haverá discórdia entre os teus e os meus, os filhos de minha adoção e os filhos de minha escolha. Então Aulë pegou os Sete Pais dos Anões e os levou para descansar em locais bem afastados; voltou em seguida a Valinor e esperou os longos anos transcorrerem". O Silmarillion, Ed. Martins Fontes, p.39-41

24 de agosto de 2011

Leitura que faz Crescer


"Se Gondor, Boromir, tem sido uma torre robusta, nós tivemos outra função. Existem muitas coisas más que nossas muralhas fortes e espadas brilhantes não aguentam. Você sabe pouco sobre as terras além de suas fronteiras. Paz e liberdade, você diz? O Norte mal saberia o que são essas coisas se não fosse por nós. O medo destruiria todos. Mas quando os seres escuros vêm das colinas desabitadas, ou se esgueiram por florestas sm sol, fogem de nós. Que estradas qualquer um ousaria pisar, que segurança havia nos lugares pacíficos, ou nas casas dos homens simples à noite, se os dúnedain estivessem dormindo, ou tivessem todos ido para o túmulo? Mesmo assim, recebemos menos agradecimentos que vocês. Os viajantes nos desprezam, e os homens do campo nos dão nomes pejorativos. Sou 'Passolargo' para um homem gordo que vive num lugar a apenas um dia de marcha de inimigos que congelariam seu coração, ou deixariam sua pequena cidade em ruínas, se não fosse guardado continuamente. Mesmo assim, não aceitaríamos outro tipo de vida. Se as pessoas estão livres do medo e da preocupação, é porque são simples, e devemos mantê-las assim em segredo. Essa tem sido a tarefa de meu povo, enquanto os anos vão se alongando e o capim crescendo".

O Senhor dos Anéis - O conselho de Elrond - p. 257/8

Cara.. eu nem vou dizer um "a" a mais. Está bem claro nas palavras de Aragorn. ;)

Obs.: adoro essa cena, no Pônei Saltitante! ;P

12 de agosto de 2011

História para Crianças ?


"Naquele exato momento os lobos invadiram as clareira uivando. De repente, havia centenas de olhos fixado sobre eles [Dori e Bilbo]. Mesmo assim, Dori não abandonou Bilbo. Esperou que ele se desprendesse de seus ombros e subisse na árvore, e depois ele mesmo saltou para os galhos. Por um triz! Um lobo tentou abocanhar sua capa no momento em que subia, e quase conseguiu. Em um minuto já havia um bando inteiro ganindo em volta da árvore e saltando contra o tronco, os olhos flamejantes e línguas à mostra". TOLKIEN, J.R.R., O HOBBIT, p. 100,3ª ed. São Paulo - WMF Martins Fontes,2009.


Esta é uma parte das aventuras de Bilbo Bolseiro, que vivia uma vida despreocupada no Condado dos Hobbits antes do mago Gandalf lhe colocar nelas.
Comparado ao livro O Senhor dos Anéis (do mesmo autor), O Hobbit parece mais um livro para crianças. Mas não se engane, não é.

Eu li um livro neste ano que analiza a os contos de fadas: Era uma Vez, de Adriana Rezende. E neste estudo a autora mostra que os contos eram direcionados para os adultos, e não somente para as crianças. O fato de usar duendes, fadas etc, fez desta literatura algo direcionado às crianças. E unindo estes elementos alegóricos às produções contemporâneas o resultado foi separar esta literatura para somente o uso aplicado às crianças.

O erro está em pensar que histórias direcionadas à crianças não são boa literatura para adultos. Livros bons ensinam muito bem para as crianças sobre moralidade (tão pouco divulgada na atualidade - vide o mundo ao redor). E quantos valores são perdidos ao longo do caminho por nós?
Esta atitude de Dorin, meu personagem escolhido mostra que precisamos aprender muito sobre amizade, compaixão, descencia, bravura, lealdade etc.

Pare um pouco de ler livros "de gente grande" e vá ler livros "infantis". ;)

29 de julho de 2011

Muito prazer, meu nome é Otário


"(...) peixe fora da água, borboletas no aquário" - essa é uma parte da letra "Dom Quixote" da banda/grupo (nunca sei como Humberto Gessinger denominada os) Engenheiros do Hawaii.


Eu gostava da música mesmo antes de ler o livro. E, agora conhecendo o livro não só de ouvir falar mas com conhecimento de causa, gosto muito mais da canção.

Dom Quixote é uma ótima reflexão sobre espiritualidade. Se você ler a contra-capa lá estará escrito que o protagonista caracteriza a espiritualidade e o Sancho Pança (o melhor escudeiro em toda a história da literatura) representa o lado materialista.

É sobre isso que quero falar.

Hoje a Gi esteve aqui em casa, e embarcamos em uma deliciosa conversa sobre a sua experiência de vinte dias no JV, onde ela trabalhou como QG de crianças e adolescentes.

E é nessa conversa que Dom Quixote entra.

O mundo que o de La Mancha vive é tão real como o nosso mundo, mas o protagonista maquiou este mundo conforme tudo o que ele leu sobre cavalaria andante (um mundo imaginário). E tudo ao redor deixou de ser o que era para ser o que ele queria que fosse.

Existem cristãos que fazem a mesma coisa. Maquiam o mundo ao seu redor do jeito que querem. No seu mundinho perfeito e mal-acabado não existem drogados, não existem prostitutas, homossexuais, alcóolatras... Eles vivem no Éden e as pessoas ao seu redor são exemplos de santidade. Não se misturam com ninguém que não seja do seu seleto grupo. E, se se misturam, tentam imprimir rótulos e fórmulas prontas para tudo e todos. Usam frases feitas e jargões. Não lêem nada que não esteja escrito "Jesus", "Deus" ou "Espirito Santo".

Ah, cristão Dom Quixote, não adianta fingir que bodegas são castelos.

Não adianta você dizer à uma prostituta "Jesus te ama" e esperar que ela dobre os joelhos e peça perdão pelos seus pecados. Conversão não é "abracadabra" então, não bata no peito e diga "eu tentei".

"O mundo anda tão complicado" já disse Renato Russo, "e hoje eu quero fazer tudo por você!" Existe um mundo inteiro esperando receber as boas novas do Evangelho. Existem drogados que precisam saber que há alguém, em carne e osso, que está disposto a ajudá-lo a carregar uma cruz - e que mesmo que ele venha a cair, estará por perto para ajudá-lo a levantar.

Então, cristão Dom Quixote, não se esconda atrás de uma espiritualidade fantasiada achando que tudo são castelos, princesas e moinhos.

"Muito prazer, me chamam de Otário" {Engenheiros do Hawaii, Dom Quixote}.

16 de outubro de 2010

TeCeCiando ;)


“Mas o homem é livre para rejeitar a Lei de Deus com a sua Sabedoria. Ele poder querer obter por si mesmo a vida e o conhecimento do bem e do mal, sem ligar para norma alguma superior. Seria como alguém que, perdido numa região que ele desconhece, traçasse, de sua cabeça, um mapa geográfico da região e, depois, se orientasse por esse mapa para encontrar o caminho. O mapa nada mais seria do que uma projeção das suas próprias idéias e desejos. Não ofereceria garantia nenhuma. Basear-se nele seria a mais pura ilusão. Assim é o homem que segue próprio critério e estabelece para si a sua lei, sem ligar pela Lei de Deus, querendo ser para si mesmo o critério único, exclusivo e absoluto do seu comportamento. Esse homem poderia encontrar tudo, menos Deus e a vida. Continuaria perdido na região desconhecida da vida. Seria a mais pura ilusão. Não encontraria saída. Inevitavelmente, encontraria a morte”.

MESTERS,Carlos.PARAÍSO TERRESTRE: Saudade ou Esperança?.Página 49. São Paulo:Editora Vozes,2007.

15 de outubro de 2010

Pregue a Palavra



Bang a Drum {Blaze of Glory - Jon Bon Jovi}

Eu fui ver o pastor
Pra me ensinar a orar
Ele olhou para mim e sorriu
Então se virou
E disse: se quiser Lhe contar algo
Você não precisa juntar as mãos
Diga com seu coração
Sua alma e acredite nisto
E eu disse amém

Pregue a palavra pelos pecadores
Pregue a palavra pelos pecados
Pregue a palavra pelos perdedores
E por aqueles que vencem
Pregue a palavra, pregue alto
Ou quão baixo quanto você precisar
Pregue a palavra para você mesmo filho
E para mim

Meu irmão me chamou
Outro dia, ele disse: John eu vou
Morrer se eu não começar a viver novamente
Eu trabalho dia e noite feito um relógio
Tentando fazer as coisas tomarem rumo
Eu poderia dar um chute no “trazeiro” desse mundo
Se eu conseguisse pelo menos ficar em pé

Eu pregaria a palavra para os que morrem
Pregaria a palavra pela verdade
Pregaria a palavra pela inocência
Perdida em nossa juventude
Pregaria a palavra, pregaria alto
Ou quão baixo quanto você precisar
Pregaria para você irmão
E para mim

Eu não sei para onde rios vão
Eu não sei quão distante, não sei como vem
Mas eu vou morrer acreditando,
Que cada passo que eu dou
Não vale o chão que
Eu caminho
Se nós não caminhamos do nosso próprio jeito

Não, eu não quero ser um sábio
Um poeta ou um santo
Sou apenas um outro homem que procura
Um caminho melhor
Mas meu coração bate alto como trovão
Pelas coisas que eu acredito
Às vezes eu quero correr em busca de proteção
Às vezes eu quero gritar

Pregue a palavra pelo amanhã
Pregue a palavra pelo passado
Pregue a palavra pelos heróis
Que não voltarão
Pregue a palavra pela promessa
Pregue a palavra pelas mentiras
Pregue a palavra pelos amantes
E pelas lágrimas que eles choraram
Pregue a palavra, pregue alto
Ou quão baixo quanto você precisar

Mas enquanto meu coração continuar pregando
Eu tenho uma razão para acreditar

14 de outubro de 2010

The Kid


Essa semana eu comecei a ler o livro escrito por Pat Garret (Patrick Floyd Garrett) sobre a vida de Billy The Kid (William Henry Bonney). E como a maioria dos crentes fazem, eu estou lendo a história e comparando com a vida cristã - tem gente que não relaxa mesmo!

Algo na vida de The Kid me faz refletir sobre minha atitudes. Eu queria ser tão ousada como ele o é para fazer suas maldades. Como fácil ter o impulso para aquilo que é contra a vontade de Deus (em termos gerais) - Paulo deixa isso bem claro em suas cartas...

Hoje, na minha leitura, The Kid recebeu a carta de um amigo (outro bandido, chamado Jesse Evans) para encontrá-lo na cidade de Lincon (junto com outros bandidos que já estavam lá). Jesse advertiu para The Kid não ir pelo caminho do rio, pois os apaches estavam pelas redondezas atacando os viajantes. E foi justamente o caminho que The Kid seguiu.

Essa passagem me deixou inquieta. Pensei em The Kid e em suas ousadias em se colocar em situações que trariam perigo. Ok, ele era um bandido, e bandidos gostam de ações perigosas. Porém, os próprios bandidos haviam pedido para ele não ir por aquele determinado caminho. Mas ele foi: porque? Porque adorava uma encrenca. A vida sem "emoções fortes" não lhe agradava - e talvez ele tivesse confiança mais em seu gatilho do que no gatilho dos apaches.

E eu pensei no meu conforto. Esses dias, na mentoria da faculdade, eu disse para o grupo: como posso me sentir confortável sabendo que alguém está sofrendo?
Eu me sentia mal por me sentir bem - estranho, mas é verdade.
Eu escolhi ir pelo caminho tranquilo e não sei até que ponto estou certa que fiz a escolha correta! Fico pensando se estou fazendo para meu próprio bem em detrimento ao que sofre; ou, se, seja o que for, não fará diferença qual caminho eu deva seguir.

Billy! Billy! Billy! O que você está fazendo comigo!

Um post estranho, mas eu tinha que escrever!

17 de janeiro de 2010

Triste...!

ESTE POST É UM SPOILER DE "AS CRÔNICAS DE NÁRNIA", ESTEJA AVISADO!



Ontem, de madrugada, eu terminei de ler o livro As Crônicas de Nárnia. Achei linda a nova Nárnia. Fiquei emocionada com os reencontros, com a beleza e magia daquele momento; mas ao fechar o livro, eu pensei em alguém que não quis estar lá. Fiquei tão triste, e ainda estou.

Eu penso em como ela pôde deixar de acreditar em Nárnia, se ela foi rainha de Nárnia! Como ela pôde deixar de acreditar em Nárnia se ela experimentou Nárnia, lutou por Nárnia, chorou, sorriu... Ela fez parte de Nárnia!
Quando seus irmãos reencontraram seus pais, ela não estava lá. Ela optou por não ver a beleza do novo Reino. Ela optou por não olhar mais para Aslam face a face!
Eu fiquei muito triste por não vê-la sentada na mesa com os outros sete. Contei, recontei, refiz toda a história na minha cabeça até aquele capítulo e eu contava com oito sentados naquela reunião. E eu torci até o último instante que fosse um erro de tradução ou uma jogada do autor. Mas não foi. Ela não estava sentada entre eles.


E eu pensei em quantas Susanas eu conheço. 
Quantas pessoas já experimentaram o amor de Crito, quantas já viveram o poder da salvação e viraram as costas.

Quantos pais não verão seus filhos na nova Jerusalém. Quantos filhos deixarão de ver seus pais, irmãos, tios, tias, amigos...
Penso no meu irmão que tomou a atitude de Susana e não quer olhar para Cristo. Oro por ele, choro quando imagino momentos assim, mas eu não posso escolher por ele.


Eu espero que muitas Susanas possam voltar á Nárnia. Eu desejo que muito filhos perdidos retornem ao seio do pai e desfrutem da abundância do lar ao qual pertencem.

:')

30 de dezembro de 2009

Minhas Férias


Durante estas férias eu estou lendo alguns livros que não tive tempo de ler durante o ano letivo: nenhum teológico. Terminei de ler, pela segunda vez, a Saga Crepúsculo (e gostei mais desta segunda vez do que da primeira); e agora estou lendo As Crônicas de Nárnia. E mesmo com uma narrativa infantil dos fatos, Nárnia me faz chorar (além de dar risadas e abrir um leque muuito grande para a fantasia).

Hoje a tarde, a poucos minutos atrás, terminei mais um capítulo de O Cavalo e seu Menino. Eu amei o encontro de Aslam com Shasta.

Um pouco de contextualização:
"Devo ser o cara mais desgraçado de todo o mundo" - pensou. "Tudo dá certo com os outros, comigo nunca. Os nobres e as damas de Nárnia conseguiram fugir de Tashbaan; eu fiquei lá. Aravis, Bri e Huin estão no bem-bom com o velho eremita; fui o único a ter de sair. O rei Luna e sua gente estão a salvo no castelo, com os portões bem fechados, mas eu fiquei de fora".

(...) Um susto interrompeu seus tristes pensamentos.
....................................................
- Quem é você? - murmurou baixinho.
- Alguém que esperava ouvir por sua voz. - respondeu a coisa.
(...)
- Você não é...não é uma coisa morta...é? (...)
Sentiu novamente o hálito quente da coisa no rosto e na mão.
- Morto não respira assim. Pode me contar as suas tristezas, rapaz.
O hálito deu a Shasta um puco mais de confiança. Contou então que jamais conhecera seu pai e mãe, que fora criado por um pescador muito severo. Contou como fugira, sobre os leões que os perseguiram, os perigos em Tashbaan, a noite entre os túmulos, as feras que uivaram no deserto, o calor e a sede durante a caminhada, e o outro leão que surgiu quando estavam quase chegando, Aravis ferida...Contou, por fim, que estava com fome, pois não comia nada havia muito tempo.
- Não acho que seja um desgraçado - disse a grande voz.
- Mas não foi falta de sorte ter encontrado tantos leões?
(...)
- Só há um leão, mas tem o pé ligeiro.
- Como sabe disso?
- Eu sou o leão.
Shasta escancarou a boca e não disse nada. A voz continuou:
- Fui eu o leão que o forçou a encontrar-se com Aravis. Fui eu o gato que o consolou na casa dos mortos. Fui eu o leão que espantou os chacais para que você dormisse. Fui eu o leão que assustou os cavalos a fim de que chegassem a tempo de avisar o rei Luna. E fui eu o leão que empurrou para a praia a canoa em que você dormia, uma criança quase morta, para que um homem, acordado a meia-noite, o acolhesse".
fim da contextualização

O capítulo termina em seguida, mas esse diálogo com o Leão é fabuloso. Lembro-me sempre Natã e Davi quando vejo um "Shasta", quando Natã diz: "Este homem é você, Davi". Somos nós em Shasta pensando que em momentos de AZAR em nossa vida Deus não está. Pensamos "Sabemos que todas as cousas cooperam para o bem daqueles que amam a DEUS" (Rm 8.28.) ... E achamos que realmente TUDO DE BOM deve andar ao nosso lado. Alguns pensam que não haverá dificuldade financeira, doença, morte, desemprego, desilusões, traições, solidão... porque acham que isso pode caber aos filhos de Deus.

Pensemos em Shasta. Quantos motivos para achar que tudo estava dando errado na vida dele, quando o Leão lhe diz que tudo estava nas mãos do dEle: o encontro com Aravis, o gato, a perseguição dos leões (que eram só um).

Deus não está alheio ao que nos acontece, nós que estamos alheios dos cuidados de Deus.

FELIZ ANO NOVO PARA TODOS.

9 de dezembro de 2009

Devorador !


"A luxúria é como um macaco que vive remexendo no nosso ventre. Não importa o quanto o domemos durante o dia, ele aparece com sua fúria em nossos sonhos à noite. Quando achamos que estamos salvos, eis que ele ergue a cabeça medonha e dá uma risadinha, e não há rio no mundo cujas correntes sejam frias e fortes o suficiente para abatê-lo. Deus Todo-Poderoso, porque adornas os homens com um brinquedo tão odioso?". Todos nós podemos nos identificar com o questionamento de Buechner. Mas alguns se identificam mais profundamente, mais desesperadamente do que outros. Eles gritam pedindo socorro, mas os céus parecem não dar ouvidos. Sentem as tormentas da tentação sexual dia e noite. Rejeitam o adultério por convicção cristã, mas sentem-se compelidos a um voyeurismo sem graça para satisfazer o forte desejo íntimo. Porém, em lugar de satisfazer, esta iniciativa serve apenas para inflamar ainda mais os desejos, mais ou menos como levar uma pessoa como levar uma pessoa faminta para passear na frente de uma confeitaria. A indulgência é seguida de culpa e remorso, que é seguida de mais indulgência e mais culpa e mais remorso.

Precisamos ser tardios para condenar e prontos para ouvir todos os que são atormentados pela lascívia. As tentações são enormes em nossa cultura saturada de sexo. A distorção de nossa sexualidade em luxúria pode tomar um rumo muito complicado, tortuoso. Somente pela graça de Deus e pelo apoio amoroso da comunidade cristã é que nossa sexualidade inflamada pela luxúria pode ser recolocada na perspectiva correta".
- Dinheiro, Sexo e Poder, por Richard Foster, página 110/111.

1 de dezembro de 2009

Nus e Não Envergonhados


Este é o subtítulo do capítulo do livro que estou lendo para um trabalho de Apologética: Dinheiro, Sexo e Poder- de Richard J. Foster.


Deixo, na íntegra, para quem quiser ler.
Ósculos e Amplexos

"Deus falou e toda a criação passou a existir, com excessão dos seres humanos(*). Para criar Adão, o Senhor tomou o pó da terra e soprou vida em suas narinas (Gn 2:7). Essa união do pó da terra com o fôlego divino oferece-nos uma das melhores descrições da natureza humana. Deus não trouxe Eva à existência por meio de uma simples palavra, como se ela fosse parte de uma realidade não humana; tampouco soprou o pó, como se ela fosse uma criação não relacionada ao homem. Deus usou a costela de Adão para sublinhar sua interdependência - "osso dos meus ossos e carne da minha carne", conforme Adão expressou. Os dois entretecidos, interdependentes, entrelaçados: sem nenhuma rivalidade feroz, sem nenhuma superioridade hierárquica de um sobre o outro, sem nenhuma autonomia independente. Que lindo quadro!
Em seguida, deparamo-nos com o estabelicimento de um pacto de fidelidade que estabelece o padrão para o casamento amadurecido: "Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e eles se tornarão uma só carne" (Gn. 2:24). Essa é realmente uma declaração extraordinária. Dada a intensidade da cultura patriarcal, é extraordinário o fato de um autor bíblico falar em o homem "deixar" e "unir-se". A seguir, a Bíblia descreve sua união como sendo uma realidade de "uma só carne", uma frase à qual Jesus empresta profundidade e riqueza em seu ensinamento.
Por fim, a cena chega ao final com o mais revigorante comentário de todos: "O homem e sua mulher viviam nus, e não sentiam vergonha" (Gn 2:25). Temos aqui um quadro idílico de um par cuja sexualidade estava integrada no todo de suas vidas. Não havia vergonha porque havia inteireza. Havia uma unidade orgânica em seu íntimo, assim como havia com o restante da Criação. Lewis Smedes escreveu: "Existm duas situações nas quais as pessoas não sentem vergonha. A primeira é em um estado de inteireza. A outra é em um estado de ilusão".¹ Nus e não envergonhados - uma cena magnífica.
Você percebeu que o erotismo não contaminado pela vergonha existia antes da queda? A queda não criou eros; apenas o perveteu. Na história da Criação, vemos o homem e a mulher atraídos um para o outro, nus e não envergonhados. Sabem que sua masculinidade e sua feminilidade são obra das mãos de Deus, assim como o afeto apaixonado de um pelo outro. Também suas diferenças os unem; são homem e mulher, mas são também uma só carne. Os dois num relacionamento, em amor - por que deveria estar presente a vergonha? Sua sexualidade é criação de Deus.

Todos conhecemos a trágica conclusão da história, de como o homem e a mulher rejeitaram o caminho de Deus. E o veneno daquela queda a tudo permeou. Ele abriu uma brecha no relacionamento entre Deus, Adão e Eva. Azedou até mesmo o relacionamento conjugal. Na linguagem da maldição, o homem "a dominará" (Gn 3:16). Jamais podemos esquecer o fato de que o domínio das mulheres por parte dos homens, que enche nossos livros de História e eventos atuais, não faz parte da boa Criação de Deus, mas é consequência da queda; daí a tensão, o conflito, a hierarquia. Conforme observou David Hubbard, desde a queda "a vida humana tem vacilado entre o feminismo voraz que compete com o homem e o cego domínio do homem sobre a mulher, que degrada a personalidade e detrói o companheirismo".
O resultado para a sexualidade humana tem sido, conforme comenta Karl Barth, uma vacilação entre o erotismo iníquo, por um lado, e uma iníqua ausência de erotismo, por outro. Que tragédia! Contudo, o testemunho cristão é o de que, com a presente chegada do Reino de Deus, estamos (de certa forma) qualificados para passar pela espada chamejante e entrar no Paraíso de Deus e viver em relações eróticas justas.²
Em Cristo, afirmamos plenamente a nossa sexualidade, e mediante o poder do evangelho, damos as costas à perversão.

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*Barth acha que a segunda narrativa da criação (Gn 2:18-25) tem como propósito básico preencher o tema de nossa criação como homens e mulheres, de forma que é, em certo sentido, um comentário a respeito de Gênesis 1:27.
1 Lewis B. Smedes. Sex for Cristhians [Sexo para cristãos]. Grand Rapids: Eerdmans, 1976, p.47
2 O restrito "de certa forma" é um reconhecimento da complexidade e da tragédia da condição humana. Embora o Reino de Deus "já está aqui", também "ainda não está". Ainda que, em muitas áreas da vida, tenhamos experimentado o toque redentor de Deus, outras permanecem intactas, e precisamos viver na expectativa da contínua "salvação do Senhor". Isso é tão real em nossa sexualidade quanto todas as áreas da vida.

12 de junho de 2009

Eu não resisto a uma Declaração de Amor ... ai ai


Ahhh não resisto a uma genuína declaração de amor ... e já que hoje é dias dos namorados, deixarei a declaração de amor melhor declarada, pelo homem mais lindo, perfeito, alto, elegante, charmoso e TDB do MUUUUNDOOO...


livro: Orgulho e Preconceito
Autora: Jane Austen
Ator da Série: Colin Firth ('ti lindo)
Ano: 1995

Darcy ficou sentado durante alguns instantes e depois, levantando-se, pôs-se a caminhar pela sala. Elizabeth ficou espantada, mas não disse nada. Depois de um silêncio de alguns minutos, aproximou-se agitado e disse:
— Em vão tenho lutado comigo mesmo; nada consegui. Meus sentimentos não podem ser reprimidos e preciso que me permita dizer-lhe que eu a admiro e amo ardentemente.