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26 de outubro de 2014

Dabaq..

Tempos atrás, fui convidada à levar um estudo bíblico para um grupo que participo na igreja. E, ao pensar no tema, não titubeei: Rute.
Existem histórias que nos acompanham como uma borboleta inquieta que procura pouso em uma flor. Com a história de Rute foi assim.
Então, foi colocar as ideias no papel; e, foi assim que aconteceu:

A história de Rute está contextualizada no período dos Juízes. Nesta época da história do povo de Israel, os patriarcas já não representavam mais a liderança da nação e, então, juízes foram levantados pelo Espírito Santo para guiá-los. Entre tantos juízes, talvez, o mais conhecido seja Sansão: um juiz que gostava de piadas sem graça e mulheres perigosas (risos). Mas, além de homens, mulheres foram juízas; entre elas, Débora.

Uma das curiosidades que me fascinam em relação ao povo de Israel é a escolha dos nomes, tanto para pessoas como para lugares. Em Rute não foi diferente.
Elimeleque foi o marido de Noemi. O nome dele significa "Deus é Rei". Noemi significa "Minha Doçura". Malom, um dos filhos de Elimeleque e Noemi, significa "Enfermidade"; e, o outro filho, chamado Quiliom significa "Esgotamento". Orfa, a outra nora de Noemi, significa "Aquela que Volta as Costas".

O motivo de Noemi seguir o marido às terras de Moabe foi a fome, que mais uma vez castigava Israel. Porém, o lugar da nova moradia, Moabe, não era bem vista pelos judeus. A razão está lá em Gênesis 19: 36 - 38. Esta nação nasceu do incesto de Ló com suas filhas; então, os judeus consideravam os moabitas e amonitas uma raça amaldiçoada.

E é aí que Deus mostrar sua "ousadia". Estamos acostumados a colocar Deus dentro de uma caixinha de "assim Ele faz", "assim Ele não faz" - e, esquecemos que Deus não está moldado conforme nossa vontade.

Deixe-me lembrá-lo, anônimo leitor, de algumas "extravagâncias" de Deus. Raabe, uma prostituta que ajudou o povo de Israel na conquista e derrubada dos muros de Jericó, está na genealogia de Jesus Cristo. O nome ela está entre os Heróis da Fé em Hebreus 11:31.

E, então, temos Rute - uma moabita, de um povo amaldiçoado, é, ousadamente, colocada na genealogia do Messias.

Essas duas mulheres - fora outros exemplos - são para lembrarmos que Deus não usa padrões humanos para medir as pessoas. E não é assim que fazemos, medimos conforme nos agrada?

Há uma tirinha que eu seguia, nos meus tempos de Facebook, que se chama "Armandinho". Este personagem é um tipo de "Mafalda" ou "Calvin & Hoobes" - uma espécie de "filósofo" infantil. Pois, certa vez, encontrei uma tirinha que muito me interessou, veja abaixo:

Armandinho

Não é encantador que para nós, seres humanos cretinos, tudo deve ter um uso prático? Se não nos for útil, desprezamos sem nenhuma cerimônia.

Voltando à Rute, a parte mais marcante no primeiro capítulo do livro homônimo e o que determina toda a reviravolta na história desta moabita, está expresso nos versículos 16 e 17:

Rute, porém, respondeu: "Não insistas comigo que te deixe e não mais a acompanhe. Aonde fores irei, onde ficares ficarei! O teu povo será o meu povo e o teu Deus será o meu Deus!
Onde morreres morrerei, e ali serei sepultada. Que o Senhor me castigue com todo o rigor, se outra coisa que não a morte me separar de ti! "

É uma atitude muito altruísta da parte desta jovem - que provavelmente não passava dos vinte anos de idade. E, ao olharmos para Rute esquecemos de Orfa. Orfa é vista como "egoísta". Mas não condenem Orfa - ela fez o que exatamente muitos de nós faria: ela usou a razão, foi em busca daquilo que lhe era permitido - voltar para sua família e buscar por um novo casamento. A atitude de Orfa é totalmente conveniente para seu tempo. Rute, porém, é uma mulher extraordinária (no sentido denotativo da palavra: aquela que excedo ao normal). A preocupação de Rute não era si mesma, mas, segundo D.A. Carson

o bem estar de Noemi era sua (de Rute) preocupação primeira, ainda que isso implicasse emigrar de sua terra natal, deixando para trás os pais que ainda viviam (2:11), e viver entre estrangeiros.

Durante meu estudo, eu encontrei uma palavra em hebraico que justifica a atitude desta moabita. O verbo é um constructo chamado "dabaq" e aparece no versículo 14. O significado, segundo Luis Alonso Shökel é de "apegar-se, aderir, ligar-se, juntar-se, unir-se, aglutinar-se, conglomerar-se, amalgamar-se, soldar-se". E, esta mesma palavra é usada em Gênesis 2:24 quando retrata a união do primeiro casal. "Apegar-se" e esquecer de si em prol de outro. Por isso, Rute é extraordinária e, por isso, a citação de Gênesis está situada antes da queda da humanidade.

Na continuação da história, o destino de duas mulheres, pobres e viúvas será mudado.

Toda a história de Rute está moldada pela sua atitude com sua sogra. Boaz se interessa por ela porque ouviu falar bem dela através de seu empregado. E, o "destino" - Deus - a colocou no caminho daquele que, por lei, seria seu remidor (um homem da família de Elimeleque).

E se fosse você, o que faria? Se fizéssemos um QUIZ BÍBLICO quem você gostaria de ser?

Quando estou em meus devaneios literários com minhas amigas, principalmente quando se trata de Jane Austen, suspiramos por personagens como Mr. Darcy, Capitão Wenthworth ... E, um dia, comentei com elas: se quisermos um "Mr. Darcy" ou "Capitão Wenthworth" precisamos olhar quem são Elizabeth Bennet e Anne Eliot, respectivamente.
Se quisermos um Boaz (que na minha opinião foi um "homão" muito bonito rs), olhemos a atitude de Rute. Ela agiu sem esperar recompensa. Ela apegou-se à Noemi por amor à sogra, apenas.

E, se citei o significado de todos os personagens listados no primeiro capítulo, exceto o de Rute, foi proposital. O significado deste nome é "Amiga". E, agora, pergunto: como você escolhe seus amigos? Pelos benefícios que lhe trazem? Afinidade? Isso não é errado, mas esta escolha não deve permitir que excluamos os demais. Então, o que eu quero deixar é o seguinte: não se sinta mal em escolher boas amizades (amizades lucrativas), mas não esqueça que há tesouros nos lugares mais inesperados.

Nossas atitudes são nossa folha de rosto. Mas nossa preocupação não deve estar voltada em agradar à homens. Se olharmos para nós, o que temos à oferecer em troca da cruz? Como podemos dizer que somos dignos de olhar para Cristo?

Eu tive um professor de teologia no primeiro ano, que certa vez trouxe duas questões interessantes para dentro da sala de aula, a primeira foi:
- Você está feliz com Jesus?
A resposta foi calorosa pela maioria dos presentes.
A segunda questão foi:
- Jesus está feliz com você?
Houve um silêncio constrangedor.

Não queremos ser o fariseu em pé no templo orando, mas nos custa rebaixarmos ao nível do publicano.

Antes de cobrarmos valores "espirituais" ou "moral" de alguém, lembre-se que todos pecaram e carecem da glória de Deus.

Sejamos mais Rute (amiga) com seu lindo verbo "dabaq".

Para finalizar, quero deixar um trecho sobre a compreensão de Carson sobra a benevolência de Rute:

A palavra “benevolência” é muito mais rica do que o leitor talvez consiga imaginar. É a tradução da palavra (hesed) (...) De um modo supremo, essa é a característica do próprio Deus em seu relacionamento com aqueles que são seu povo. Às vezes o vocábulo é traduzido por “amor permanente”, e a palavra transmite a ideia de fidelidade do Senhor às suas promessas da aliança (Dt. 7:9). O propósito para os que tem experimentado a “hesed” do Senhor é que reflitam o mesmo cuidado amoroso nos relacionamentos com outros.

12 de setembro de 2009

Planos


Este semestre, na faculdade, estamos temos uma matéria chamada Homilética. E no momento estamos aprendendo e praticando tipos de mensagens: temática, textual e expositiva. O primeiro tipo já apresentamos, e nesta semana tivemos a apresentação de uma mensagem textual (com duração de cinco minutos).
Quero deixar para vocês, a mensagem textual da Gisele (amiga, irmã, parça: de trem, ônibus, caminhadas, risadas, choros, dias bons e ruins, de cobiça (ai, Pecado!), filmes, séries, livros, chocalates...). Ela é alguém muito importante na minha vida. E como diz o diretor da faculdade: se você quer procurar a Gisele, ache a Adelita; e vice e versa.

Lá vai o texto!

PLANOS

Provérbios 19:21 - "As pessoas fazem planos, mas quem decide é o Deus eterno".

Crescemos em uma sociedade que ensina que devemos fazer planos para nossa vida (a curto e longo prazo). Um dos assuntos mais falados e estudados nos dias atuais é o planejamento estratégico (o que eu quero ser, e quem eu quero ser daqui a um determinado tempo), nesse planejamento inclui a realização de sonhos, viagens, casamento, filhos, carreira, casa, carro, e até aposentadoria. Procuramos determinar um tempo e dentro deste tempo esperamos que as coisas se realizem conforme planejamos.

O planejamento é com certeza algo muito importante, pois não acredito que Deus tenha colocado seres dotados de inteligência para ficarem vagando pelo mundo sem rumo. Mas acredito também, que o fato de termos planos, nao significa que eles devem ser realizados conforme queremos e no tempo que desejamos, logo, deveríamos cuidar com a ênfase que damos aos planejamentos da nossa vida. Será que estamos dispostos a entregá-los à Deus, ou queremos realizá-los como nossas "forças"?

Deixa eu lhes contar algo: Eu sou uma pessoa que me empolgo com meus planos, e em outubro do ano passado eu decidi me organizar para que em julho deste ano eu pudesse ir a SP, passar 20 dias em um trabalho voluntário que me ofereceram, colocando tudo que venho aprendendo no curso de teologia em prática. Tudo estava perfeito, o planejamento financeiro estava caminhando conforme eu havia previsto, passava horas procurando promoção de passagens pela internet. Em maio encaminhei o formulário e os meus documentos para o processo seletivo, e na primeir a semana de junho fiquei sabendo que havia passado. Daí em diante, nada mais poderia dar errado (na minha mente), afinal, até aqui tudo havia estado certo, e também eu estava crente que era vontade de Deus, afinal, eu estava me dispondo a trabalhar na obra dele. Uma semana depois, fiquei sabendo que o meu pedido de férias na empresa havia sido negado. Nossa, tudo desabou. Eu fiquei extremamente decepcionada, magoada, pensei em "meter os pés pelas mãos".
No meio da minha aflição, eu recebi a palavra de Provérbios 19:21, e só constatei o que eu já sabia, os meus planos são muito incertos, e o sucesso deles depende da vontade de Deus.
Sabem, hoje eu vejo os planos dos homens, como sendo um grande esboço. Sabem, quando precisamos fazer uma atividade e colocamos no papel passo a passo o que vamos precisar e por aí em diante, e conforme vamos realizando a atividade vamos mudando a ordem dos fatores, excluímos algumas coisas, acrescentamos outras.
Da mesma forma Deus, ele nos fez e nos conhece, sabe por que estamos aqui e o que é melhor para nós, então ele pega nosso esboço e muda a ordem dos fatores, exclui aquilo que não será bom, acrescenta aquilo que nunca imaginamos que viveríamos, aí sim, temos um planejamento estratégico eficaz.

Logo, nós temos duas opções: fazer planos e tentar a todas as custas torná-los realizáveis conforme queremos e estarmos muitas vezes frustrados sem enxergar que a mudança dos planos pode ser melhor. Ou, entregamos nosso esboço à Deus, e nos permitimos aceitar as mudanças, acreditando que Ele sabe o que é melhor, tendo assim uma vida feliz e bem planejada.