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16 de março de 2017

Duas Providências..

Olá, abandonado leitor.

Esta manhã eu tirei uma folguinha, para ficar em casa fazendo qualquer coisa que me parecesse relaxante. Então, eu li.

Minha leitura atual é um livro de Mark Twain, chamado As Aventuras de Huckleberry Finn.

Durante a minha leitura, algo chamou minha atenção. 

Huck Finn é órfão de mãe e o pai é um bêbado ausente. Criado por uma viúva e sua sobrinha, Huck está sendo "civilizado". As duas mulheres tentam impor a Huck Finn uma educação moral, religiosa e escolar ao menino. 
A escola ele frequenta muito mal - depois de uma surra ele percebe que não é tão ruim ir estudar. A moral e os bons costumes ele aprende nas regras que a casa da viúva lhe impõe e, também, cabe as duas senhoras ensinar sobre religião ao selvagem menino.

Eu não vou entrar no mérito da questão do ensino religioso ou na "religião" em si, pois acredito que você leitor, entende o que isso significa.

E, para Huck Finn, as duas mulheres são bem distintas ao ensiná-lo sobre a Providência Divina. Ambas ensinam o que vivem e, na ideia do protagonista, parece que as mulheres falam de duas divindades distintas.
Às vezes a viúva me puxava prum lado e falava sobre a Providência de um jeito que dava água na boca; mas no dia seguinte, a srta. Watson assumia o comando e derrubava tudo de novo. Achei que dava pra ver que tinha duas Providências, e um pobre sujeito tinha uma grande chance de felicidade com a Providência da viúva, mas, se a Providência da srta. Watson pegava o cara, não tinha mais saída pro coitado. Pensei de todos os jeitos e decidi que eu ia ser da Providência da viúva, se ela me aceitasse, apesar de não conseguir descobrir como é que essa Providência ia me deixar melhor do que eu era antes, eu sendo tão ignorante, e tão inferior e desprezível.
"Dar água na boca", essa frase chamou minha atenção. Será que nosso evangelismo dá essa sensação àqueles que nos ouvem? Ou será que somos tão duros como a senhorita Watson e preferem o inferno ao seguir "ao Cristo que ela prega". O evangelho puro de Cristo deve dar água na boca dos ouvintes. O evangelho que mostra o Amor deve aproximar o ouvinte.
Hoje em dia é muito fácil ouvir uma evangelização que prometa mudar a vida para melhor: dinheiro, felicidade, bens materiais blá-blá-blá. E onde está o evangelho da Verdade?
Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento’. Este é o primeiro e maior mandamento. E o segundo é semelhante a ele: ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’. Mateus 22:37-39
 "Dar água na boca"! O evangelho simples e puro de Cristo. Nada mais precisa ser acrescentado: dinheiro, corrente para ser bem-sucedido, fitinha no pulso, dois ou três batismo para dar crédito a vida de fé... 

A sua vivência na fé dá água na boca? As pessoas ao seu redor vêem o viver de Cristo em sua vida? As pessoas a sua volta percebem a diferença que faz na comunidade? E, mesmo se ninguém notasse, a sua vida de fé continuaria a dar bons frutos?

25 de maio de 2016

Sem nada, apenas..

Eu estava fazendo minha meditação diária, quando uma passagem muito "batida" chamou minha atenção. Talvez seja esse mundo complicado - cada dia mais complicado - que tenha tornado essa passagem tão chamativa. 
  
Vocês a receberam de graça, deêm também de graça. (Mateus 10:8b)

Essa instrução de Cristo faz parte de outras instruções que ele deu para os discípulos antes de dispensá-los para a evangelização entre os judeus. Nada deveriam levar consigo. Tudo deixariam para trás e dependeriam de outros. Sem roupa extra, dinheiro, comida.. seriam sustentados apenas por aqueles que encontrassem no caminho. E, além disso, eles receberam instruções de como agir quando chegassem em uma cidade/casa.

Não é estranho ler uma mensagem que diz para as pessoas saírem de casa apenas com a roupa do corpo? Nem uma garrafinha de água ou  bolachinha para roer durante a caminhada. Nada. Desapego total.
Hoje em dia, pelo que vejo ao meu redor, cada vez mais pessoas que pregam a palavra de Deus exigem isso ou aquilo para façam seu trabalho. Mundo consumista. Cada um se vira como pode. 
Eu só me pergunto quantos estariam dispostos a levar o Evangelho nas condições de Cristo.







"VocVocês receberam de graça; dêem também de graça.
Mateus 10:8

Vocês receberam de graça; dêem também de graça.
Mateus 10:8

12 de julho de 2015

Viva a união..

Eu estava lendo o livro de Atos dos Apóstolos, capítulo 2, versículos 1 - 11.

É uma passagem bem conhecida: a descida do Espírito Santo de Deus.
Terminada a leitura, eu lembrei de outra passagem bíblica: Efésios, capítulo 4, versículo 5: "Um só Senhor, uma só fé, um só batismo."

E uma cena veio a minha mente: união.

Será que algum dia vamos deixar de guerrear com a fé dos outros, em nome de uma placa denominacional e, finalmente, entenderemos que Deus nos proveu com o seu Espírito para a unidade e não para a separação?

A descida do Espírito Santo de Deus promoveu uma unidade entre pessoas tão diferentes - que nem a mesma língua falavam..e nós aqui, compreendendo a fala do outro, só escutamos a nós mesmos.

Vamos olhar para cruz que doou o Consolador e promoveu uma unidade indivisível em Cristo.
Se estamos em comum acordo com Hebreus 4:5, vamos deixar Atos 2 ser uma verdade "corriqueira" em nossas vidas.

31 de outubro de 2014

Quem é o Maior...tolo?

Nesta semana, enquanto eu esperava meus colegas de trabalho chegarem li do meu livro "Papisa Joana" de Donna Woolfolk Cross - e um trecho chamou minha atenção.
Não gosto de briguinhas do tipo "quem é melhor". Você tem a sua escolha, eu a minha - o respeito deve ser posto em prática e tudo vai bem. Mantenho distância de discussões chatas como "de quem é culpa" quando se trata de Adão e Eva. Mas, neste livro, eu achei engraçada esta "disputa" e deixarei o trecho registrado aqui.

Divirtam-se, pois eu me diverti!

Segue:


"Na concepção [respondeu o professor] porque Adão foi criado primeiro e Eva, depois; na posição porque Eva foi criada para servir Adão como companheira e auxiliar; na vontade porque Eva não foi capaz de resistir à tentação do Demônio e comeu da maçã.
Pelas mesas, as cabeças acenavam em assentimento. A expressão do bispo era grave. Ao seu lado, o cavaleiro ruivo não deu qualquer indício daquilo em que estava a pensar.
Odo sorriu afetadamente. Joana sentiu uma repulsa intensa por aquele homem. Ficou calada por momentos, coçando o nariz.
— Porque é a mulher inferior ao homem na concepção? — acabou ela por perguntar. — Pois, apesar de ter sido criada depois, foi feita do lado de Adão, enquanto Adão foi feito do pó.
Do fundo da sala, ouviram-se murmúrios.
— Em posição — as palavras fluíam, à medida que os pensamentos perpassavam pela cabeça de Joana e ela prosseguia o seu raciocínio — a mulher deve ser preferida ao homem porque Eva foi criada dentro mas Adão foi criado fora dele.
Novo murmúrio vindo da audiência. O sorriso desapareceu do rosto de Odo.
Joana continuou, demasiado interessada no encadeamento do seu o raciocínio sem pensar no que estava a fazer:
— Quanto à vontade, a mulher deve ser considerada superior ao homem — esta era forte, mas, agora, já não havia retorno — porque comeu da maçã por amor ao conhecimento e ao estudo, enquanto Adão a comeu apenas porque ela lhe pediu.
O choque provocou um silêncio profundo na sala. Os lábios pálidos de Odo contraíram-se de cólera. O bispo olhava para a Joana como se não pudesse acreditar naquilo que acabava de ouvir.
Ela tinha ido longe de mais."

26 de outubro de 2014

Dabaq..

Tempos atrás, fui convidada à levar um estudo bíblico para um grupo que participo na igreja. E, ao pensar no tema, não titubeei: Rute.
Existem histórias que nos acompanham como uma borboleta inquieta que procura pouso em uma flor. Com a história de Rute foi assim.
Então, foi colocar as ideias no papel; e, foi assim que aconteceu:

A história de Rute está contextualizada no período dos Juízes. Nesta época da história do povo de Israel, os patriarcas já não representavam mais a liderança da nação e, então, juízes foram levantados pelo Espírito Santo para guiá-los. Entre tantos juízes, talvez, o mais conhecido seja Sansão: um juiz que gostava de piadas sem graça e mulheres perigosas (risos). Mas, além de homens, mulheres foram juízas; entre elas, Débora.

Uma das curiosidades que me fascinam em relação ao povo de Israel é a escolha dos nomes, tanto para pessoas como para lugares. Em Rute não foi diferente.
Elimeleque foi o marido de Noemi. O nome dele significa "Deus é Rei". Noemi significa "Minha Doçura". Malom, um dos filhos de Elimeleque e Noemi, significa "Enfermidade"; e, o outro filho, chamado Quiliom significa "Esgotamento". Orfa, a outra nora de Noemi, significa "Aquela que Volta as Costas".

O motivo de Noemi seguir o marido às terras de Moabe foi a fome, que mais uma vez castigava Israel. Porém, o lugar da nova moradia, Moabe, não era bem vista pelos judeus. A razão está lá em Gênesis 19: 36 - 38. Esta nação nasceu do incesto de Ló com suas filhas; então, os judeus consideravam os moabitas e amonitas uma raça amaldiçoada.

E é aí que Deus mostrar sua "ousadia". Estamos acostumados a colocar Deus dentro de uma caixinha de "assim Ele faz", "assim Ele não faz" - e, esquecemos que Deus não está moldado conforme nossa vontade.

Deixe-me lembrá-lo, anônimo leitor, de algumas "extravagâncias" de Deus. Raabe, uma prostituta que ajudou o povo de Israel na conquista e derrubada dos muros de Jericó, está na genealogia de Jesus Cristo. O nome ela está entre os Heróis da Fé em Hebreus 11:31.

E, então, temos Rute - uma moabita, de um povo amaldiçoado, é, ousadamente, colocada na genealogia do Messias.

Essas duas mulheres - fora outros exemplos - são para lembrarmos que Deus não usa padrões humanos para medir as pessoas. E não é assim que fazemos, medimos conforme nos agrada?

Há uma tirinha que eu seguia, nos meus tempos de Facebook, que se chama "Armandinho". Este personagem é um tipo de "Mafalda" ou "Calvin & Hoobes" - uma espécie de "filósofo" infantil. Pois, certa vez, encontrei uma tirinha que muito me interessou, veja abaixo:

Armandinho

Não é encantador que para nós, seres humanos cretinos, tudo deve ter um uso prático? Se não nos for útil, desprezamos sem nenhuma cerimônia.

Voltando à Rute, a parte mais marcante no primeiro capítulo do livro homônimo e o que determina toda a reviravolta na história desta moabita, está expresso nos versículos 16 e 17:

Rute, porém, respondeu: "Não insistas comigo que te deixe e não mais a acompanhe. Aonde fores irei, onde ficares ficarei! O teu povo será o meu povo e o teu Deus será o meu Deus!
Onde morreres morrerei, e ali serei sepultada. Que o Senhor me castigue com todo o rigor, se outra coisa que não a morte me separar de ti! "

É uma atitude muito altruísta da parte desta jovem - que provavelmente não passava dos vinte anos de idade. E, ao olharmos para Rute esquecemos de Orfa. Orfa é vista como "egoísta". Mas não condenem Orfa - ela fez o que exatamente muitos de nós faria: ela usou a razão, foi em busca daquilo que lhe era permitido - voltar para sua família e buscar por um novo casamento. A atitude de Orfa é totalmente conveniente para seu tempo. Rute, porém, é uma mulher extraordinária (no sentido denotativo da palavra: aquela que excedo ao normal). A preocupação de Rute não era si mesma, mas, segundo D.A. Carson

o bem estar de Noemi era sua (de Rute) preocupação primeira, ainda que isso implicasse emigrar de sua terra natal, deixando para trás os pais que ainda viviam (2:11), e viver entre estrangeiros.

Durante meu estudo, eu encontrei uma palavra em hebraico que justifica a atitude desta moabita. O verbo é um constructo chamado "dabaq" e aparece no versículo 14. O significado, segundo Luis Alonso Shökel é de "apegar-se, aderir, ligar-se, juntar-se, unir-se, aglutinar-se, conglomerar-se, amalgamar-se, soldar-se". E, esta mesma palavra é usada em Gênesis 2:24 quando retrata a união do primeiro casal. "Apegar-se" e esquecer de si em prol de outro. Por isso, Rute é extraordinária e, por isso, a citação de Gênesis está situada antes da queda da humanidade.

Na continuação da história, o destino de duas mulheres, pobres e viúvas será mudado.

Toda a história de Rute está moldada pela sua atitude com sua sogra. Boaz se interessa por ela porque ouviu falar bem dela através de seu empregado. E, o "destino" - Deus - a colocou no caminho daquele que, por lei, seria seu remidor (um homem da família de Elimeleque).

E se fosse você, o que faria? Se fizéssemos um QUIZ BÍBLICO quem você gostaria de ser?

Quando estou em meus devaneios literários com minhas amigas, principalmente quando se trata de Jane Austen, suspiramos por personagens como Mr. Darcy, Capitão Wenthworth ... E, um dia, comentei com elas: se quisermos um "Mr. Darcy" ou "Capitão Wenthworth" precisamos olhar quem são Elizabeth Bennet e Anne Eliot, respectivamente.
Se quisermos um Boaz (que na minha opinião foi um "homão" muito bonito rs), olhemos a atitude de Rute. Ela agiu sem esperar recompensa. Ela apegou-se à Noemi por amor à sogra, apenas.

E, se citei o significado de todos os personagens listados no primeiro capítulo, exceto o de Rute, foi proposital. O significado deste nome é "Amiga". E, agora, pergunto: como você escolhe seus amigos? Pelos benefícios que lhe trazem? Afinidade? Isso não é errado, mas esta escolha não deve permitir que excluamos os demais. Então, o que eu quero deixar é o seguinte: não se sinta mal em escolher boas amizades (amizades lucrativas), mas não esqueça que há tesouros nos lugares mais inesperados.

Nossas atitudes são nossa folha de rosto. Mas nossa preocupação não deve estar voltada em agradar à homens. Se olharmos para nós, o que temos à oferecer em troca da cruz? Como podemos dizer que somos dignos de olhar para Cristo?

Eu tive um professor de teologia no primeiro ano, que certa vez trouxe duas questões interessantes para dentro da sala de aula, a primeira foi:
- Você está feliz com Jesus?
A resposta foi calorosa pela maioria dos presentes.
A segunda questão foi:
- Jesus está feliz com você?
Houve um silêncio constrangedor.

Não queremos ser o fariseu em pé no templo orando, mas nos custa rebaixarmos ao nível do publicano.

Antes de cobrarmos valores "espirituais" ou "moral" de alguém, lembre-se que todos pecaram e carecem da glória de Deus.

Sejamos mais Rute (amiga) com seu lindo verbo "dabaq".

Para finalizar, quero deixar um trecho sobre a compreensão de Carson sobra a benevolência de Rute:

A palavra “benevolência” é muito mais rica do que o leitor talvez consiga imaginar. É a tradução da palavra (hesed) (...) De um modo supremo, essa é a característica do próprio Deus em seu relacionamento com aqueles que são seu povo. Às vezes o vocábulo é traduzido por “amor permanente”, e a palavra transmite a ideia de fidelidade do Senhor às suas promessas da aliança (Dt. 7:9). O propósito para os que tem experimentado a “hesed” do Senhor é que reflitam o mesmo cuidado amoroso nos relacionamentos com outros.

28 de fevereiro de 2014

Fala, Senhor, porque teu servo ouve.

Dias atrás, eu estava lendo o devocional diário,  e a passagem me chamou a atenção - não por aquilo que o autor escrevera, mas por aquilo que percebi.

Faz tempo, que ao deitar e ler a Bíblia eu penso "cá com meus botões": o que estamos fazendo com o Evangelho?

A leitura em questão foi I Samuel 3 - quando Deus fala com o pequeno profeta. Eli já está longe de ouvir a voz de Deus, os filhos dele estão a quilômetros de entender algo. Todos estão dentro da "igreja". Mas somente Samuel ouve.

Às vezes, durante as orações que ocorrem quando estes pensamentos sem ânimo ocorrem, eu tenho vontade de acrescentar em minha oração a máxima do Capitão Nascimento: "Deu merda, Capitão".

Sobre a leitura, o que estamos ouvindo na igreja? O eco das minhas vontades? (e assim distorcendo o Evangelho para fazer a MINHA palavra soar correta ao público?). As pessoas que estão a minha volta ouvem Deus ou são como Eli e seus filhos? As pessoas realmente se importam com aquilo que ouvem a respeito da Bíblia?

Como diria Ricardo Gondim: "Baixe as portas porque está tudo errado".

12 de setembro de 2013

A Casa Favorita..

No fim de agosto, eu fui convidada para levar um estudo bíblico para alguns jovens/adolescentes da igreja do bairro Jativoca (Jlle/SC)em um retiro promovido por eles.

Antes do estudo começar, como é costume, houve um momento de louvor. Entre as músicas, uma delas chamou minha atenção e vem martelando na minha cabeça desde semana passada: chama-se "Casa Favorita". Esta canção é do grupo gospel "Filhos do Homem"; segue letra;

Encontra em mim ó Deus, algo de valor
Quero atrair tua presença.
Tua misericórdia, oh Deus de Israel
Enche o templo com tua glória

Restaura a casa caída de Davi
Para que os povos saibam
Há um Deus em Israel, Yeshua!

Eu quero ser um lugar
Onde você gosta de estar.
Eu quero ser tua casa favorita
Quero ser o teu altar.

E, pensando nesta música, eu lembrei de uma outra casa, ou melhor, casas e de uma reforma.

As casas são bem conhecidas popularmente: As dos Três Porquinhos. Como eu adoro contos de fadas, permitam-se contar este:

Os personagens do conto são três porquinhos - Prático, Heitor e Cícero - e um lobo (lobo mau), cujo objetivo era devorar os porquinhos. Ao decidirem sair da casa de sua mãe (em algumas versões, da avó - lembrando que em algumas versões, eles recebem uma herança de sua mãe/avó para assim poderem construir as casas) eles foram construir cada um a sua própria casa.
Cícero, o mais preguiçoso, não se queria cansar e construiu uma cabana de palha. Heitor, decidiu construir uma cabana de madeira, enquanto Prático optou por construir uma casa melhor estruturada, com cimento e tijolos. Como a sua casa demorou mais tempo para ser construída, Prático muitas vezes via os irmãos se divertindo enquanto se esforçava para terminar o trabalho.
Um dia o lobo surgiu e bateu na porta da casa de Cícero, que se escondeu. Mas o lobo, com um sopro forte, desfez a casa. Enquanto Cícero fugia, o lobo foi bater na porta de Heitor e, com dois sopros fortes, destruiu também a cabana de madeira.
Heitor fugiu para a casa de Prático, onde já se encontrava Cícero. O lobo então foi à casa de Prático e tentou derrubá-la, sem sucesso. Após muitas tentativas, o lobo decidiu esperar a chegada da noite.
Quando anoiteceu, o lobo foi tentar entrar na casa descendo pela chaminé, mas começou a sentir cheiro de queimado. Era Prático que, com uma panela estava a queimar a cauda do lobo. O lobo então fugiu assustado e nunca mais voltou,e eles viveram felizes para sempre.
fonte: Wikipedia.org

Além das casas, esta música me lembrou de uma reforma. Esta reforma encontra-se na Bíblia Sagrada, no Antigo Testamento, em 2 Reis 23: 1 - 3

Então o rei convocou todas as autoridades de Judá e de Jerusalém. Depois o rei subiu ao templo do Senhor acompanhado por todos os homens de Judá, todo o povo de Jerusalém, os sacerdotes e os profetas; todo o povo, dos mais simples aos mais importantes. Para todos o rei leu em voz alta todas as palavras do Livro da Aliança, que havia sido encontrado no templo do Senhor.
O rei colocou-se junto à coluna real e, na presença do Senhor, fez uma aliança, comprometendo-se a seguir o Senhor e obedecer de todo o coração e de toda a alma aos seus mandamentos, seus preceitos e seus decretos, confirmando assim as palavras da aliança escritas naquele livro. Então todo o povo se comprometeu com a aliança.

O rei Josias foi o primeiro "rei bom" depois de uma longa lista de "reis maus". O que isso realmente quer dizer? Isto que dizer que depois de vários reis pagãos, finalmente, Jerusalém teve um rei devoto APENAS à Javé.

Ele fez o que o Senhor aprova e andou nos caminhos de Davi, seu predecessor, sem desviar-se nem para a direita nem para a esquerda. (2 Reis 22:2)

Amom, antecessor de Josias, governou dois anos e, por ser querido pelos seus súditos e povo, foi morto pelas mãos deles. Josias, então, assumiu o trono de Jerusalém aos oito anos de idade. Possivelmente, Hilquias, o sumo sacerdote, tutelou o infante até a idade de este assumir o trono.

Fato é que Josias estava afim de uma reforma no templo de Javé. Literalmente, uma reforma. Mandou Hilquias cuidar dos pormenores e, enquanto fazia isso, seu brado (talvez tenha bradado) de "ACHEI O LIVRO DA LEI NA CASA DO SENHOR" chegou até Josias. A partir desta "novidade", outra reforma começou. Tudo e todos que não estavam ligados à Javé, foram varridos para fora do templo. E sua reforma abrangeu todo o país e vizinhança. Durou a reforma dez anos - até a morte tola e prematura de Josias. E, então, Jerusalém foi submetida a mais um rei pagão.

Uma música e dois histórias e uma aplicação!

Assim como o templo em Jerusalém precisou de uma reforma (física e espiritual), nós, como separados por Deus para ser luz no mundo, sermos o sal da Terra, precisamos de uma reforma, também, e diária. Precisamos tirar tudo aquilo que não condiz com uma atitude cristã: vícios, superstições, pensamentos turvos, etc. O pó precisa ser retirado (não acumular mãos pensamentos), o pecado deve ser confessado (para aliviar a alma e o espírito).
Precisamos dar bons frutos e, em principal, cultivar o fruto do Espírito Santo (Gálatas 5:22) em nós. Esta "Casa de Davi" - desta casa que nasceu Cristo - precisa estar arejada com o vento do Espírito e coberta com um telhado resistente e, fundamental, estar alicerçada na Palavra de Deus; e, esta foi a glória do reino de Josias: encontrar o livro da Lei e firmar o sei reinado nele.

Do mesmo modo que os três porquinhos construíram suas casas conforme a vontade de cada um, eu pergunto: como está a nossa "Casa de Davi" - o templo do Espírito Santo.

Será uma casa de palha, que tem vícios que corroem a vida espiritual cristã: que não permitem o florescimento do Fruto do Espírito. Talvez, nesta casa, a leitura da Bíblia seja negligenciada - tendo somente a Bíblia como enfeite, aberta em um salmo. Esta vida espiritual é muito precária e frágil; fácil de ser derrubada por tempestades, ou, por um simples sopro de um lobo.

A casa de madeira já é algo um pouco mais firme que a anterior. Talvez, os moradores desta casa frequentem a igreja para que todos os vejam; talvez, compartilhem "coisas de Jesus" em páginas sociais. Porém, a leitura da Bíblia em casa não importa. Para os moradores desta casa é importante manter a boa conduta somente enquanto estão no meio eclesiástico e, longe dali, tudo volta ao "normal". Mas, também, esta casa é derrubada por um sopro de lobo.

A terceira casa é diferente. Tem um alicerce bem feito, é forte e feita com dedicação e com cuidado. De forma espiritual, esta casa tem prazer em servir ao Senhor, busca um relacionamento verdadeiro com Deus e com o próximo. As pessoas que moram nesta casa confessam sua fraqueza, buscam e oferecem perdão. Seus frutos são doces e saborosos pois a terra de seus corações é fértil. Nenhuma tempestade surpreende os moradores desta casa pois a casa está bem alicerçada. O pó é varrido, o lixo não fica escondido nos cômodos, é uma casa bem iluminada; tudo o que desagradável é jogado fora.

Então, lhe pergunto, anônimo leitor, qual destas casas é a sua? E, qual destas casa você quer ser?

Se queremos ser a "casa favorita", como diz a canção, qual destas moradias devemos ser?

That's all folks!


27 de julho de 2012

Suportar..

Estava a caminho de preparar uma xícara de chá para mim, quando lembrei de alguém que eu não gosto na Igreja. Não sei porque lembrei dela e porque esse pensamento chegou até mim; mas lembrei também de Efésios 4:2.

Efésios 4: 1- 6 trata sobre a unidade da fé. Paulo está rogando aos ouvintes para que sejam um em amor.

Mas temos uma grande dificuldade em falar sobre "amor". Muitos acham que "amor" é um sentimento natalino que dura o ano todo. "Amor" também é denotado como permitir e aceitar todas as coisas sem questionar ou repreender. "Amor", hoje em dia, pode ser tanta coisa e nada ao mesmo tempo.

Quando eu penso no amor lá de Efésios 4:2, eu creio que é um amor que aceita o próximo; e, essa aceitação, inclui não falar mal ou prejudicar o próximo.
Essa pessoa que eu não curto eu amo em Cristo - sem aquele friozinho na barriga que muitos associam ao sentimento, sem eufemismo ou confetes.

Suportar é amar! É olharmos para a pessoa que nos é "estranha" e saber que, mesmo não sendo a "miguxa" dela, ela e eu somos parte do corpo de Cristo, somos diferentes em alguns conceitos e teorias, mas Cristo está em nós.

Vamos encontrar, dentro e fora da Igreja, pessoas que teremos um convívio difícil de travar. Eu não me envergonho de declarar que não gosto de algumas pessoas que estão em minha comunidade - o que me incomoda e me envergonha é não assumir essa fraqueza, tão humana e comum em todos. O que me envergonha é tratar com hipocrisia aqueles que são caros à Cristo.

Suportar não é tratar com hipocrisia. Suportar, para mim, é amar de uma forma tão delicada e sensível, que se não formos fortes o suficiente na fé, estaremos prejudicando alguém por pura vaidade e capricho.




14 de junho de 2012

Olhe para mim! Sou linda!!

"Ser ou não ser! Eis a questão" essa é a pergunta mais conhecida e feita ao longo da história da humanidade - pertence a William Shakespeare, citado em Hamlet.

Os anticonsumistas citam: "É melhor ser do que ter". Concordo! Mas ser o que? Tem tanta gente que é o que não é, concordam?

O memorável astro pop (falecido) já não era quem era no início do sucesso. A rainha do pop também não é mais. A juventude foi-se (e para ele a vida) e ficaram-se as plásticas. Como diz a canção da rainha dos baixinhos é tanto "estica e puxa" que ninguém mais sabe quem é quem.

Gostamos do bonito, é agradável de olhar.

Mas outra coisa que está na moda é ser o que não é, filosoficamente.
As frases retuitadas ou compartilhadas no Facebook mostram uma maturidade da parte de todos que eu fico pensando que Jesus pode voltar hoje pois todos foram evangelizados. Tem crente beberão e crente periguete mas tudo certo, certo?

Ou seja, é tudo uma mentira sem tamanho! Queremos o bem da natureza mas não separa-se o lixo da forma correta em casa; não é plantada uma horta caseira ou é feito reaproveitamento de nada. Somente na natureza "nada se perde tudo se transforma", conosco a história é outra.

Somos o que não mostramos.

Eu estava escolhendo um texto bíblico para levar para os adolescentes e invoquei que tinha que falar sobre um, procurei na bíblia onde estava a passagem que me veio na lembrança (sim, eu não sei a Bíblia de cor e não me envergonho disso) e achei em Mateus 21: 18-20.

Jesus havia chegado na populosa Jerusalém acompanhado dos seus discípulos. Houve uma festa grande com a Sua chegada: gente cantando e tudo mais. Porém, alegria para uns, prejuízos para outros: Ele aproveitou e fez uma limpeza no templo da cidade maravilhosa que voou e saltou bicho e gente para todo o lado - imagino que Ele não foi buscar votos para sua "candidatura" de Messias. Logo após a faxina Ele fez curas naquele templo.
No dia seguinte, quando Jesus voltava de Betânia com a rapaziada, viu no caminho uma figueira com lindas folhas! Quando Ele chegou perto, viu que não tinha frutos e amaldiçoou-a dizendo: Nunca mais nasça frutos de ti! .. e figueira secou.

Que dó! Que dó! Que dó!

Conversando em sala de aula com um professor (na época que eu ia pra faculdade e quando eu estava na aula) ele contou que leu (não lembro onde) que a dita árvore "enganou" os transeuntes. Se uma figueira tem folha, logo tem frutos. Aquela figueira estava tirando uma com a cara das pessoas que por ali passavam, pois por mais bonita que fosse, não havia frutos nela.

Tem gente que é assim na igreja, mermão!
Tem gente que posta coisinha de crente no face, twitter, orkut ou parecido com isso e acha que evangelizando!
Tem gente que passa a vida dentro de uma igreja e é pior que a figueira, pois nem folha nasce. Gente que só vive de aparência e boas palavras e nenhuma prática.

Frutos!!! Uma palavra chave para uma vida cristã é FRUTOS! Somos frutos de alguém que nos evangelizou. Eu sou fruto de Mario Angelo Pfutzenreuter (quer ele goste ou não rs).
Eu pergunto: quem nós tocamos? Quem nós semeamos? Atingimos o coração de alguém? E não nos vangloriemos por fazer a semeadura, isso é obra de Deus.

Não podemos viver só de aparência, é o "ser" errado!

Deus está olhando para o nosso coração, e o que Ele encontra é frutífero ou só folhagem?

Para dar frutos é preciso estar ligado em Cristo, ser imitador dEle. Imitar sim, fingir não!









(a imagem acima é da árvore Nimloth, de Númeror - que mais tarde Isuldir trouxe o fruto e veio a ser a Árvore Branca de Minas Tirith)


31 de maio de 2012

..e a Tua vontade

Tenho algumas Bíblias para Crianças. Gosto de olhá-las às vezes, passar os olhos pelas gravuras e lembrar de como era bom meu tempo de criança. Uso elas também para procurar temas ou explicações para cultos ou textos para o blog. Desta vez eu estava procurando algo para levar para o grupo e adolescentes (os dois posts anteriores foram estudos feitos para eles). Ao abrir o livro infantil eu vi a figura de Paulo e Silas sendo presos e decidi fazer o estudo sobre esse tema. Orei, pensei, orei de novo, pensei em desistir e procurar outra coisa mas daí resolvi mantê-lo; e deu nisso:

A prisão de Paulo e Silas acontece na segunda viagem missionária de Paulo. Ele já tinha dado "adeus" à Barnabé e torcido o nariz para João Marcos (que mais tarde cai nas graças do apóstolo marrento)e se juntado com Silas. Paulo já tinha conhecido Timóteo e o circuncidado (judeuzada era fogo!); teve uma visão em Trôade para ir à Macedônia e Lídia foi convertida.

A história que quero contar está em Atos 16: 19-34.

Foi em Filipos, cidade da Macedônia, atualmente conhecida por Europa (,prazer)que Paulo encontrou uma moça adivinhadora que era serva de um grego que não ficou nada contente com o apóstolo por tê-la exorcizado. E lá foi Paulo e Silas aos pretores (magistrado romano) dar explicações. Os belos olhos dos apóstolos e seus argumentos não convenceram os pretores e ambos foram levados ao cárcere e foram açoitados em um tronco.

Depois de açoitados e ainda amarrados resolveram cantar:

"Lêrê, lêre, lêre-lêre-lêre..."

Mentira, cantaram louvores a Deus - não se sabe se for para pedirem libertação ou somente o puro e simples louvor sincero, mas o fato é:

"Por volta da meia-noite, Paulo e Silas oravam e cantavam louvores a Deus, e os demais companheiros de prisão escutavam. De repente, sobreveio tamanho terremoto, que sacudiu os alicerces da prisão; e abriram-se todas as portas, e soltaram-se as cadeias de todos" v.25-26

Se um de nós estivesse preso injustamente (ou não) e víssemos que as algemas não estavam em nosso corpo e as portas abertas, talvez, em 99% dos casos, a fuga seria a primeira e mais sensata opção. Os cristãos diriam que foi providência divina para aquela injustiça e escapariam. Outros diriam que o Cosmos está a sua favor e libertando-os. Cada um pensa como lhe cabe!

Na história de Atos 16 ninguém se mexeu, talvez, pelo susto ou algum outro fator que não está mencionado por ser irrelevante no relato.
O carcereiro tirou a própria espada e iria matar-se quando Paulo disse em voz alta:

"Não te faças nenhum mal, que todos aqui estamos!"

A punição para o carcereiro que perdesse um preso era a morte, o de Paulo queria adiantar a sua. Porém, Paulo o impediu.

Pequenas atitudes podem trazer grandes resultados.

O carcereiro foi até os dois apóstolos e perguntou como poderia ser salvo! E Paulo falou o que estamos carecas de saber:

"Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa" e foram batizados.

O carcereiro lavou as feridas de todos e com aquela mesma água foi batizado.

Paulo e Silas foram soltos (não é mencionado o período do cárcere) e foram até a casa do carcereiro e todos aceitaram Cristo como Senhor e Salvador e foram batizados.


Atos 16: 19-34 me lembrou da vontade de Deus. Quantas vezes pedimos que Deus faça sua vontade e como pouco a praticamos. Estamos mais para passar o cálice adiante do que tomá-lo para si. Somos fracos e hipócritas! Achamos, em algum momento, que a vontade de Deus está ligado ao conforto e alegria. Veja só quanto conforto e alegria Paulo e Silas tiveram naquela prisão.

A vontade de Deus, pelo o que entendi lendo a passagem da prisão dos apóstolos, é trazer aqueles que estão afastados dEle para perto dEle. Se for diferente, por favor, me discipulem novamente porque eu achei que o "Ide e fazei discípulos" era verdade!

Paulo e Silas poderiam ter fugido e pronto: DANE-SE O CARCEREIRO! ELE MALTRATOU HOMENS DE DEUS! DEVE PAGAR POR ISSO! ..
Paulo fez a vontade de Deus (fazer discípulos); ficou na prisão e permitiu que toda a família do seu carrasco experimentasse a liberdade em Cristo.

Fazer a vontade de Deus! Estamos fazendo isso direito?

Até a próxima!

9 de maio de 2012

"...cuida e não deixa ninguém entrar"

Eu sou apaixonada por séries de televisão. Se eu gostar mais acabo me tornando uma pessoa sem convívio social (hehe)!
Tem séries que eu não deixo de assistir: Supernatural, Grimm, The Big Bang Theory, Two and a Half Men; sem contar que tenho algumas minisséries também: Orgulho e Preconceito (Jane Austen), Norte e Sul (Elizabeth Gaskell), Jane Eyre (Charlotte Brönte) - que eu assisto repetidamente!
E, por mais que curta assistí-las, e mesmo que saiba que elas têm um "pé" com a realidade, eu não acredito que elas sejam verdadeiras. Eu não acredito que Supernatural é a expressão do verdadeiro mundo sobrenatural. Eu sei que a série Grimm não é a verdadeira história dos irmãos Grimm etc. É uma distração, e não um modo de vida!

Já que citei Grimm, quero contar uma história famosa dos irmãos: A Branca de Neve.
Curiosidade: uma amiga me contou que os irmãos Jacob e Wilhelm eram luteranos. Gente boa! :)

A história: Certa rainha grávida, durante o inverno, bordava enquanto grossos flocos de neve caíam. Ao bordar, picou o seu dedo com a agulha e viu três pingos de sangue caírem na neve alva e desejou que sua filha tivesse a pele branca como a neve, fosse corada como o sangue e tivesse cabelos negros como o ébano.
E seu desejo se realizou, e sua filhinha se chamou Branca de Neve.
Infelizmente, a rainha faleceu quando sua filha ainda era muito pequena. Seu pai casou-se novamente (homens!) com uma jovem mulher muito vaidosa. A nova rainha tinha um espelho mágico que consultava sempre que lhe desse vontade:

"Diga-me espelho, sê verdadeiro
Entre todas no reino, aqui e além,
Existe mais bela? Revela-me quem".

A resposta sempre alegrava a vaidosa rainha: ela era a mais bela de todos os reinos.
Porém, a rainha não contava que uma rival crescia em seu meio; e aos sete anos idade, despontando em beleza, Branca de Neve tornou-se suprema em formosura!

Foi aí que a rainha ordenou que seu criado matasse a infante. Como sabemos, o criado não exterminou com a vida da jovem, mas abandonou-a em meio a floresta e à sua própria sorte.

A menina andou por vários lugares até encontrar uma pequena casa onde habitavam sete anões. Ao chegar ela comeu, bebeu e escolheu uma cama para dormir.
Os anões, ao verem seus bens usufruídos, indagaram-se sobre quem havia feito aquilo! A resposta estava dormindo na cama de um deles.

A menina contou-lhes a sua história e os anões a alertaram:

"A rainha logo descobrirá onde estás, portanto cuida e não deixa ninguém entrar".

Lá estava rainha defronte seu espelho mágico quando ouviu a resposta que lhe trouxe ódio ao coração:

"És bela, rainha, encantadora por demais;
Porém, além das montanhas, à sombra da verde floresta,
Com sete anões, em morada modesta,
Lá se esconde Branca de Neve, e esta
É mais bela que tu, rainha, muito mais"

A raivosa rainha disfarçou-se de velha vendedora e foi bater na porta da distraída enteada.

Branca de Neve achou a velhinha simpática e deixou que ela entrasse na casa dos anões. Vendedora com era, logo quis trocar a fita do espartilho da jovem, e o apertou tanto que a menina perdeu o fôlego. A megera foi voltou ao castelo feliz por deixar a enteada sem vida no chão da humilde casa.
Porém, sua alegria durou pouco. O seu espelho voltou a repedir a infame afirmação que Branca de Neve ainda era muito mais bela do que ela.
Os anões chegaram a tempo de desfazer o feitiço da madrasta, e a menina voltou a respirar suavemente. Alertaram-na, novamente para não permitir que ninguém penetrasse na casa.
Como os jovens são imprudentes, hein! Lá veio a velha vendendo uma linda tiara. Branca de Neve não resistiu e colocou-a na cabeça. Assim que o fez, desmaiou! A rainha foi embora, os anões retornaram mais cedo e a menina foi reanimada.
A rainha estava com um ódio tão grande, que daria sua própria vida para matar Branca de Neve.
Voltou à casa! E mesmo que a jovem não permitisse sua entrada, ela ofereceu uma deliciosa maçã (que não engorda! rs)para a enteada. Aquela maçã brilhava na mão da velha que deixou Branca de Neve com vontade de comê-la! Porém, lembrou-se do conselho dos anões e não quis aceitar! Foi aí que a rainha desferiu seu golpe, dizendo que também morderia a maçã, para provar que não lhe faria nenhum mal! A maçã estava com uma metade envenenada e a outra sã. Adivinha qual metade a megera mordeu?

E Branca de Neve caiu feito morta! A rainha voltou ao castelo e os anões não conseguiram acudir sua bela hóspede!
Por continuar tão linda, corada e com aspecto vivo, eles não enterraram a menina - construíram um ataúde de vidro e montavam guarda ao redor da desfalecida.

Depois de muito tempo, adivinha quem passou? Um príncipe! Sim.. e ele viu aquela moça tão linda que se apaixonou por ela e a quis levar para seu reino. Os anões relutaram, porém, convencidos do amor que o rapaz tinha pela moça, permitiram que ele a levasse. Ao erguer a jovem de seu belo sepulcro, o pedaço da maçã que ficou na boca dela caiu, ela voltou à vida e casou-se com o príncipe e foi viver com ele no seu castelo!

E a rainha? Quando soube, adoeceu e morreu!

FIM!

O que mais chamou minha atenção nesta história foi o aconselhamento dos anões! Insistiram três vezes (nas minhas contas) para que a menina tivesse prudência para não cair nas garras da rainha má!
Lembrei das cartas de Paulo, e lembrei de Timóteo.
O jovem Timóteo recebeu uma ordem de Paulo - seu pai na fé: não permitir que outras doutrinas fossem ensinadas além daquela que o apóstolo ensinou.
Na primeira carta a Timóteo 1: 1-5 Paulo pediu que o rapaz não permitisse que "fábulas ou genealogias intermináveis" tomassem o lugar do ensinamento passado por ele. O apóstolo falava sobre mentirinhas que querem tomar conta do coração do cristão. E sabemos quem é o pai da mentira.

Recordo de uma canção que aprendi no culto infantil:

Toc - toc - toc
Alguém me bate a porta!
Toc - toc - toc
Alguém deseja entrar?
É o mal querendo um lugarzinho!
NÃO! NÃO! NÃO! Você não pode entrar!

E a mentira, e as fábulas (não como esta que contei acima) querem vir de mansinho tomar conta da nossa vida. Querem trazer pequenas dúvidas, questionamentos que com falta de prudência permitimos entrar - era só um lugarzinho que já tomou todo o espaço!

Quantas mentirinhas os jovens ouvem hoje em dia: o amor é algo genérico, ser "de igreja" é ser careta, todo mundo vai para o céu, Deus é bom (é mesmo, eu não duvido, mas também é justo), você é jovem demais - espere para ficar velho e ir para a igreja etc

Você e eu não temos Paulo no nosso cangote dizendo para pregar sobre o verdadeiro evangelho; mas nós temos o evangelho em mãos! Vamos ser como os anões e não desistir de falar, avisar - e mesmo quando acharmos que tudo está perdido, vamos guardar nossos queridos porque ainda há esperança antes da morte!

Não podemos ser ingênuos e achar que em tudo há malícia; mas não podemos ser imprudentes permitindo que as mentiras daquele pai minem a fé em Cristo!

Para tanto, uma vida de fé real, firme, calçada na verdade de Cristo (o amor) deve ser cultivada!

29 de julho de 2011

Muito prazer, meu nome é Otário


"(...) peixe fora da água, borboletas no aquário" - essa é uma parte da letra "Dom Quixote" da banda/grupo (nunca sei como Humberto Gessinger denominada os) Engenheiros do Hawaii.


Eu gostava da música mesmo antes de ler o livro. E, agora conhecendo o livro não só de ouvir falar mas com conhecimento de causa, gosto muito mais da canção.

Dom Quixote é uma ótima reflexão sobre espiritualidade. Se você ler a contra-capa lá estará escrito que o protagonista caracteriza a espiritualidade e o Sancho Pança (o melhor escudeiro em toda a história da literatura) representa o lado materialista.

É sobre isso que quero falar.

Hoje a Gi esteve aqui em casa, e embarcamos em uma deliciosa conversa sobre a sua experiência de vinte dias no JV, onde ela trabalhou como QG de crianças e adolescentes.

E é nessa conversa que Dom Quixote entra.

O mundo que o de La Mancha vive é tão real como o nosso mundo, mas o protagonista maquiou este mundo conforme tudo o que ele leu sobre cavalaria andante (um mundo imaginário). E tudo ao redor deixou de ser o que era para ser o que ele queria que fosse.

Existem cristãos que fazem a mesma coisa. Maquiam o mundo ao seu redor do jeito que querem. No seu mundinho perfeito e mal-acabado não existem drogados, não existem prostitutas, homossexuais, alcóolatras... Eles vivem no Éden e as pessoas ao seu redor são exemplos de santidade. Não se misturam com ninguém que não seja do seu seleto grupo. E, se se misturam, tentam imprimir rótulos e fórmulas prontas para tudo e todos. Usam frases feitas e jargões. Não lêem nada que não esteja escrito "Jesus", "Deus" ou "Espirito Santo".

Ah, cristão Dom Quixote, não adianta fingir que bodegas são castelos.

Não adianta você dizer à uma prostituta "Jesus te ama" e esperar que ela dobre os joelhos e peça perdão pelos seus pecados. Conversão não é "abracadabra" então, não bata no peito e diga "eu tentei".

"O mundo anda tão complicado" já disse Renato Russo, "e hoje eu quero fazer tudo por você!" Existe um mundo inteiro esperando receber as boas novas do Evangelho. Existem drogados que precisam saber que há alguém, em carne e osso, que está disposto a ajudá-lo a carregar uma cruz - e que mesmo que ele venha a cair, estará por perto para ajudá-lo a levantar.

Então, cristão Dom Quixote, não se esconda atrás de uma espiritualidade fantasiada achando que tudo são castelos, princesas e moinhos.

"Muito prazer, me chamam de Otário" {Engenheiros do Hawaii, Dom Quixote}.

15 de fevereiro de 2010

Irmã Deisy manda notícias de Uganda


Este final-de-semana eu fui assistir filme na casa de uma amiga, a Ana, e ela me mostrou esse jornal que estavam distribuindo na Igreja que ela participa. Eu achei linda a reportagem e quero compartilhar com vocês.

É uma carta contanto como está o trabalho missionário católico em Uganda, na África.

“Queridas amigas e amigos, minhas irmãs e irmãos,
Gostaria de tomar esta oportunidade destes dias calmos para partilhar um pouco do que vivemos aqui em Aboke este ano, com vocês que estão unidos(as) a nós através da oração e do sacrifício.
No começo de 2009, Deus nos presenteou com um acontecimento grandioso. Acontecimento que nos deu a oportunidade de experimentar a sua fidelidade e bondade, e que nos encheu de esperança e alegria. Este acontecimento foi a volta de Ajok Catherine que tinha sido seqüestrada pelos rebeldes em 1996, quando eles vieram a este colégio e levaram 139 meninas entre 12 e 15 anos para usá-las como crianças soldados e objetos sexuais. Ajok tinha 13 anos quando foi seqüestrada e viveu 13 anos com os rebeldes, a metade de sua vida...
Talvez seja importante que eu conte um pouco desta parte da história de Uganda e de Aboke. Desde 1986 tem um grupo guerrilheiro que se diz contra o governo ugandês, mas suas ações fazem transparecer que estão mais contra o povo do que contra o governo. Onde os rebeldes queimas vilas, violentam, roubam, cortam lábios, nariz, orelhas, mãos, pés, língua... No começo o grupo era liderado por uma mulher – Alice Lakmena – mas logo depois foi substituído por Joseph Kony, que é o líder até hoje. Este grupo de rebeldes é mantido, ou seja, recebe armas e comida do governo do Sul do Suldão, e o governo de Uganda teve muitas oportunidades de terminar com o grupo, mas não o faz pois este também lucra com o grupo no mercado de armas e também – e especialmente – lucra com todas as organizações que ajudam o país por causa do conflito. Ajuda que o povo não muito pois vai para os cofres do governo. Países do primeiro mundo também contribuem para que o conflito continue, principalmente pela venda de armas.
Então no dia 10/10/1996, os rebeldes seqüestraram 139 meninas do nosso colégio. Irmã Rachele, que foi atrás dos rebeldes para trazer as meninas de volta, trouxe 109. Trinta ficaram com os rebeldes e a maioria conseguiu escapar no decorrer dos anos. Destas 30 meninas, 25 voltaram, quatro foram mortas em confrontos com o exercito, e uma não sabemos se está viva ou morta. Então a volta de Ajok é um acontecimento maravilhoso que celebramos, que ainda trás um sorriso aos lábios quando lembramos e que não deve ser esquecido, pois é fonte de esperança que a vida sempre triunfa diante da morte.
Este ano também tivemos mais alunas, construímos mais dormitórios, aumentamos o refeitório, etc... o trabalho aumenta, mas vale a pena. Procuramos manter a qualidade de ensino e dar oportunidade a tantas quantas meninas podemos. Quando as vejo indo à universidade, trabalhando, e fazendo a diferença na sociedade, entendo que a missão herdada de Combini de Salvar a África com a África continua acontecendo.
Tem algo mais que marcou nosso ano. Daqui da janela veja uma das muitas árvores do colégio que caiu por causa de uma tempestade de setembro. Uma outra caiu atrás das classes. Este tipo de tempestade não existe neste país, mas este ano, de setembo a dezembro tivemos três destas. Este ano também foi complicado porque está chovendo durante a estação da seca e não choveu durante a estação das chuvas. Então o povo perdeu as sementes duas vezes: plantaram na estação da chuva e secou tudo; plantaram novamente quando viram que chovia durante a estação da seca, plantaram, mas ai a chuva foi forte demais com ventos violentos e quantidade descontrolada de água. Acho que todos nós entendemos que isso seja...mudança de clima devido ao efeito estufa – poluição. E isto está afetando até a África. O que fazemos não é mais só problema nosso, o que cada um faz tem efeito no mundo inteiro, seja a ação boa ou ruim. E também por isso se queremos pregar o Evangelho de Cristo que veio para que todos tivessem vida e vida em abundancia, temos que nos preocupar também com nossa casa – o planeta terra – faz parte da vida e da mensagem cristã.
Bom, quero terminar. Isto é só um pouco do que observo ao meu redor. Neste ambiente eu cresço e me torno mais e mais uma missionária Comboniana que faz causa comum com o povo de Deus, que doa a vida pelos mais pobres e necessitados e que encontra a felicidade em fazer outros felizes.
Aqui eu aprendo. Sou amada e acima de tudo...amo o povo e estas meninas que Deus me deu como filhas. E esta é a essência da missão! O meu abraço.
Deisy, Irmã Missionário Comboniana em Uganda, África.

28 de outubro de 2009

Mentindo enquanto Canto


Eu não gostaria de escrever mais dessa forma, mas eu preciso desabafar algumas coisas que penso. Não quero ser hipócrita e apontar somente o dedo em direção a outros, é uma forma de eu me disciplanar também.


Ontem, durante o IV Fórum de Pentecostidade e Reforma na faculdade, houve o momento inicial de louvor. Como saí atrasada de casa {normal} eu cheguei no final do penúltimo hino. Acomodei-me junto com a Gi, que eu encontrei no corredor, e o último hino iniciou. Quando isso aconteceu, eu disse para a Gi e para a Téte: "Lá vem mentira!". O hino foi este {somente um trecho}:

"Eu não preciso ser reconhecido por ninguém
A minha glória é fazer com que conheço a Ti.
E que diminua eu, para que Tu cresças, Senhor, mais e mais".

Eu imagino o seguinte: canta-se esse hino para sua própria glória.
Queremos dizer a todos: EU não preciso ser reconhecido por ninguém.
É como dizer: ESTÃO VENDO? EU NÃO PRECISO DE FAMA PARA MIM! ...
mas ao mesmo tempo já está chamando a atenção para si.

Precisamos de palmas no final da palestra, de parabenização após o culto, precisamos de visitas em nossos blogs {ou coisas do gênero}, elogios no trabalho {da igreja ou secular}, etc. O fato é: precisamos suprir nosso ego.

Não quero degradar os seres humanos e reduzir-nos a comida de porcos; mas precisamos caminhar muito para chegar a esse tipo de afirmação: EU NÃO PRECISO SER RECONHECIDO POR NINGUÉM.
É necessário uma entrega completa à Deus. É mais do que apenas cantar, apenas dizer.
Como eu já disse em outro post, Deus precisa dizer-nos: A little less conversation, a little more action, please. {Um pouco menos de falatório, e um pouco mais de ação}.

A entrega a Deus não pode ser apenas de palavras soltas ou intensões. Deve ser real.
Que possamos caminhar em busca desta afirmação da música, para, realmente, glorificar a Deus.

22 de julho de 2009

Profetadas


Dias atrás eu estava conversando com um dos meus colegas de trabalho. O assunto inicial era a sua ida à igreja com a esposa. Conversa vai, conversa vem, ele comentou que o palestrante da noite disse ao público: NÓS SOMOS PROFETAS!

Não quis entrar em discussão sobre a frase dita pelo palestrante, apenas fiz uma breve citação que deixou clara a minha opinião.
Desde aquele dia eu venho "matutando" sobre o que seria um profeta de verdade. Será que somos profetas mesmos?
O livro de Carlos Mesters (Deus, onde estás?), no capítulo que fala sobre os profetas, ele menciona que, para início de conversa, o profeta sabia que não falava palavras dele, mas era um instrumento de Deus para falar ao povo. E, então, veio uma cena em memória: das pessoas que ouvi dizer "profetiza que esse carro será seu" -"profetiza que essa casa será sua" - "profetiza que esse emprego será seu". Lembro de uma brincadeira que fiz com meu pastor no Dia das Mães. O argumento para ele não me cumprimentar pelo Dia das Mães era porque eu não sou mãe. Então eu disse: "Profetiza isso na minha vida, Pastor". Ele encerrou a conversa com uma risada marota.
Voltando aos profetas. Fiquei pensando nos profetas da Bíblia que já estudei ou li.
Em uma das aulas de Antigo Testamento, sobre os Profetas Menores, estudamos sobre o profeta Joel que profetizou nú em Israel. Ainda comentei com meu professor: Tem profeta que casa com prostituta, outro é preso, outro é tido como bêbado pela multidão e esse anda nú por aí.. se minha sabe que estou lendo a Bíblia ela vai brigar comigo! haha Mas pense no que estes homens passaram para profetizar para o povo de Deus. E o que os profetas de hoje fazem? Enquanto profetas como Joel andavam nú (na verdade, era uma roupa que ficava justa ao corpo), atualmente há quem procure vestir-se bem para causar impressão. Enquanto Jeremias era preso por falar o que Deus lhe dizia, hoje há poucos que falam sobre a que os profetas pregavam: ARREPENDIMENTO! CONVERSÃO! MUDANÇA DE ATITUDE!... Há quem ainda olhe para o mundo de hoje e vá contra as barbaridades que estão acontecendo dentro das igrejas?
Será que conseguiremos ser desprezados, como o profeta Micaías foi, a ponto de ser indejado por falar contra o rei!
Na minha opinião, profeta não fala para si, não diz o que todos querem ouvir, mas o que precisam ouvir. E, ouso dizer, que nem todos são chamados para serem profetas.
Ser profeta não é falar a sua opinião sobre algum assunto. Ser profeta não é chamar para si bens materiais. Atualmente, muitos querem chamar para si glamour e deixam de lado (e dessa forma, diminuem) a importância do verdadeiro profeta.

5 de junho de 2009

Identidade :D

A Rede Globo, através do Jornal Nacional, passou uma série sobre "Os Evangélicos". Algumas denominações foram apresentadas, entre elas OS LUTERANOS !!! uuhuuuulll.....
Como é muito raro ouvir algo bom do meio secular sobre os evangélicos, essa reportagem vale a pena ser postada.
Beijos a Todos,
Fiquem com Deus ... :D

A atuação dos luteranos no Rio Grande do Sul
A principal característica da Igreja Luterana é acreditar que a salvação vem apenas pela fé e não como resultado de obras e boas ações. Mas isso não impede a forte ação social no sul do Brasil.

Nesta semana, o Jornal Nacional apresentou uma série especial de reportagens sobre a ação social de algumas das dezenas de igrejas evangélicas presentes no Brasil.

Nesta sexta, na reportagem que encerra a série, Flávio Fachel e William Torgano mostram a atuação dos luteranos no Rio Grande do Sul com descendentes de europeus, de negros, escravos e de índios guaranis.

Uma bênção que ecoa há 15 décadas numa região de pequenas propriedades em São Lourenço do Sul, a 200 quilômetros de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

Eles são descendentes dos pomeranos, povo agricultor que vivia da própria terra na Europa, na região onde agora é a Alemanha.

Hoje, a lavoura no Brasil multiplica sorrisos. Mas nem sempre foi assim. A mesma terra que hoje vê prosperidade já foi testemunha de um modo de produção que empurrou os descendentes dos imigrantes para uma situação de dependência.

Durante quatro gerações, eles plantaram para patrões, venderam para atravessadores, perderam a relação de liberdade que tinham com a terra.

Hoje, 150 anos depois, a fé que os acompanhou nos barcos das grandes travessias do Atlântico, e que nunca foi esquecida, conseguiu começar a mudar essa história.

Uma chegada cheia de esperança nas promessas de terra farta e de felicidade. Nas malas, carregavam o pouco que tinham. Nos corações, traziam uma fé incomum no Evangelho e na Igreja Luterana.

“As primeiras igrejas que chegaram ao Brasil são igrejas que vieram a partir de grupos étnicos que foram trazidos para ocupar o lugar dos escravos. Esses grupos trazem suas crenças, criam as suas comunidades e as igrejas começam a se desenvolver”, explicou Maria das Dores Machado, socióloga da UFRJ.

A Igreja Luterana surgiu no século XVI, na Europa. Chegou ao Brasil com os pomeranos em 1824. Hoje já são 1 milhão de fiéis em todo o país.

Sua principal característica é acreditar que a salvação vem apenas pela fé e não como resultado de obras e boas ações. Mas isso não impede a forte ação social da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Rio Grande do Sul.

“A missão desse serviço foi exatamente de resgatar essa fé e uma fé tem que se articular com a vida das pessoas que se concretiza no jeito de se relacionar com a natureza”, disse Ellemar Wojahn, coordenador da IECLB.

Com o Centro de Apoio ao Pequeno Agricultor, a igreja, de certa forma, devolveu aos fiéis a capacidade que os antepassados perderam: de sobreviver da terra sem depender de ninguém.

“Foi Deus que fez a natureza, foi Deus que fez em seis dias, no sétimo descansou e a deixou para nós para trabalhar e ganhar o nosso sustento”m afirmou o agricultor Romil Mühlenberg.

Seu Romil vive na terra que já foi de seu pai, do avô e do bisavô. Nunca abandonou a leitura da Bíblia. Na lavoura, o resultado do que está aprendendo com os irmãos luteranos: uma nova forma de produzir, sem agrotóxico. “Se não fosse a igreja, a gente não estava nessa da agroecologia”.

E a produção é vendida direto para o consumidor, na Feira dos Luteranos, no Centro de Pelotas.

Vantagem? O lucro de cada um não é dividido com mais ninguém. Mas o ganho maior para todos eles vem na esperança de ver a família continuar unida na fé e na terra dos antepassados.

“Agora eu sinto orgulho muito grande de estar na lavoura com meus filhos acompanhando. Eu acredito que daqui a 50 anos os meus netos estarão trabalhando aí”, projeta Seu Romil.

“A igreja tem essa pretensão de criar condições para que as famílias tenham possibilidade de ter renda e uma vida digna no meio rural”.

E ainda sobra para ajudar a quem precisa. Depois do culto, moradores pobres da região recebem cestas de alimentos doados pelos agricultores luteranos. “É uma sensação de que Deus está sempre com a gente apoiando, ajudando”, disse a desempregada Santa Janete Maia.

Estar com quem precisa. Os fiéis da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Rio Grande do Sul decidiram também estender a mão para mais gente que depende da terra no estado.

Descendentes de escravos, esquecidos nos quilombos, e os índios guaranis que, depois de perderem as terras, viraram mendigos de beira de estrada. Entre duas comunidades tão diferentes, muitas semelhanças.

“O Brasil tem uma dívida social e a igreja também tem uma dívida social com essas populações tradicionais que foram excluídas e marginalizadas que não têm lugar ainda hoje na sociedade”.

Preocupados com o mais básico – sobreviver – índios e quilombolas foram deixando os costumes para trás. Agora, os luteranos ajudam essas pessoas a se reencontrar com a própria cultura.

Estimulando os mais velhos a ensinar o que sabem aos mais novos. Assentados na reserva, os índios tiveram sorte. Podem agora ensinar às crianças guaranis que seu povo vive da terra. E que apesar do que sofreram com os brancos, continuam de braços abertos a quem quiser vir ajudar.

"Somos da tribo Tekoaporã e convidamos você a nos visitar", cantam os pequenos guaranis.

Uma lição de amor e solidariedade. “Jesus não perguntou se era difícil, onde estava, como é que era, que cor que tinha. Foi buscar e a gente tem que seguir esse exemplo, estar permanentemente nessa busca da ovelha perdida”, , declarou Rita Sorita, coordenadora da Igreja.

Na reportagem de quinta, nós mostramos o trabalho dos batistas com crianças que foram afastadas dos pais pela Justiça e também apresentamos o trecho de uma entrevista com a socióloga Maria das Dores Machado.

Ela observou que a doutrina pentecostal enfatiza a capacidade do indivíduo de desenvolver o dom do Espírito Santo. Só que nós mostramos esse trecho logo depois de explicar as origens da Igreja Batista e aí ficou parecendo que a Igreja Batista seria pentecostal.

Mas isso não é verdade. A socióloga se referia a outras igrejas. Os batistas têm origem na Inglaterra, no século XVII, valorizam o batismo na idade adulta e adotam princípios comuns ao protestantismo.

22 de maio de 2009

Para Refletir ... e Produzir Mudança


“O tipo de Deus que agrada a maioria teria hoje uma disposição fácil quanto à tolerância de nossas ofensas. Ele seria amável, gentil, acomodatício, e não possuiria ação violenta. Infelizmente, até mesmo na igreja perdemos a visão da majestade de Deus. Há tanta superficialidade e frivolidade entrenós. Os profetas e os salmistas provavelmente diriam de nós que não temos o temor de Deus perante nossos olhos. Na adoração pública, é nosso hábito sentarmos de qualquer modo; não ajoelhamos hoje em dia, muito menos nos prostramos em humildade diante de Deus. É mais provável que batamos palmas de alegria do que nos enrubesçamos de vergonha ou lágrimas. Vamos a presença de Deus reivindicando seu patrocínio e amizade; não nos ocorre que ele pode nos mandar embora. Precisamos ouvir novamente as palavras ajuizadas do apóstolo Pedro: “Se invocais como Pai aquele que, sem acepção de pessoas, julga segundo as obras de cada um , portai-vos com temor durante o tempo da vossa peregrinação”. Em outras palavras, se ousamos chamar nosso Juiz de Pai devemos livrar-nos da presunção. É preciso dizer que nossa ênfase evangélica na expiação é perigosa se chegamos nela rápido demais.


Só aprendemos a apreciar o acesso a Deus que Cristo ganhou para nós depois de primeiro termos visto a inacessibilidade de Deus aos pecadores.Só podemos gritar “Aleluia” com autenticidade depois que primeiro tivermos clamado: “Ai de mim que estou perdido”.Nas palavras de Dale: “é em parte que o pecado não provoca a nossa própria ira, que não cremos que provoque a ira de Deus”
[John Stott, A Cruz de Cristo, página 98]

5 de maio de 2009

Torcedores Ocultos..


Desde domingo eu estou presenciando uma cena pitoresca: a dos torcedores ocultos. Vejo tantos por aí se mostrando. Com quem eu pergunto: "Tudo bem?", a resposta é: "Melhor ainda porque meu time ganhou domingo"; ou "Só não é melhor porque meu time perdeu domingo". SÉRIO??? Essas pessoas nunca haviam expressado qualquer sentimento em relação ao time; mas bastou o campeonato terminar que todos sairam das "tocas". Em momento algum, durante os jogos disputados anteriormente, houve uma demonstração de que eram torcedores, fanáticos, apaixonados pelo time. Nunca os vi com camisas do time "do coração". Será que sabem cantar o hino completo: ou somente o refrão (como na maioria dos casos).


Cenas como essa de domingo que verei pela semana inteira, me faz pensar sobre os cristãos. Quantos cristãos apaixonados por Cristo existem "em oculto".



São aqueles "apaixonados" que comparecem na igreja nas datas comemorativas: páscoa e natal. Ah, sim: nos cafés que as senhoras programam os "ocultos" aparecem - sempre compram uma cartão de bolo para ajudar.
São cristãos que não tem a preocupação de "vestir a camisa" de cristão. São cristãos que durante o ano não tem a preocupação de ler a Palavra de Deus (e depois, quando o Pastor fala algo que não entendem, dizem que ele "falou difícil"). Reclamam que o dirigente do culto deveria ser mais claro ao falar com o público.
Quando se é cristão o amor a leitura da Palavra é diária. Orar é diário. Pedir perdão é diário, falar de Jesus é diário. Quando se veste a camisa de Cristo (ser cristão de verdade é isso) o desejo de ter COMUNHÃO com os que compartilham da fé em Cristo é vivo.

CRISTÃOS OCULTOS SAIAM DO ANONIMATO. DECLAREM PUBLICAMENTE SEU AMOR A DEUS. VISTAM A CAMISA. SEJAM ATIVOS NA COMUNIDADE QUE CONGREGAM.


Fiquem com Deus.